Algum tempo depois, Matteo retornou. Ele trazia dois copos de plástico com um café preto que cheirava forte. Ele me entregou um deles e se encostou na parede oposta.
— O doutor já passou por aqui? — ele perguntou, dando um gole longo na bebida quente.
— Sim. Ele disse que a estabilidade é boa. Começaram a reduzir os sedativos agora. Provavelmente ele acorda pela manhã — expliquei, sentindo o calor do café despertar meus sentidos.
Decidimos, sem precisar de muitas palavras, que passaríamos a noite ali mesmo. Matteo se acomodou em uma cadeira no canto, e eu permaneci no meu posto de vigia ao lado de Adrian.
Passei o restante da madrugada em um ciclo repetitivo: monitorar a respiração de Adrian e observar as câmeras da mansão. Vi quando Sofia e Giulia finalmente se despediram e se recolheram para os quartos de hóspedes. Vi Chiara caminhar sozinha pelo corredor silencioso da mansão, entrando finalmente no meu quarto. Meu coração acelerou ao vê-la fechar a porta atrás de si. Eu sabia exatamente o que ela faria ali dentro. Sabia que ela deitaria no meu lado da cama, que procuraria pelo rastro do meu cheiro nos travesseiros e que, talvez, repetisse sozinha os movimentos que tinha me mostrado no vídeo.
A sensação de posse era avassaladora, quase sufocante. Chiara não era mais apenas uma peça em um acordo, uma noiva de contrato para acalmar os ânimos do conselho da família. Ela era a minha paz e, ao mesmo tempo, o meu caos mais profundo.
Quando os primeiros raios de sol começaram a surgir no horizonte, pintando o céu com tons de um rosa pálido e alaranjado, percebi um movimento sutil na cama. Adrian gemeu baixinho, um som quase inaudível se eu não estivesse tão atento. Suas pálpebras tremeram.
Aproximei-me rapidamente, deixando o copo de café de lado.
— Adrian? — chamei, minha voz saindo mais rouca e carregada de emoção do que o normal. — Adrian, você está me ouvindo? Sou eu, Massimo. Acorda, irmão.
— Esse idiota sempre foi difícil de matar — Matteo brincou, mas dava para ver a umidade nos cantos dos seus olhos.
Ficamos ali, os dois, vigiando Adrian enquanto ele lutava para abrir os olhos e processar onde estava. O sol agora entrava com força total pela janela do hospital, dissipando as últimas sombras daquela madrugada interminável. Eu sabia que o caminho para a recuperação total de Adrian seria longo e tortuoso. Haveria cirurgias reconstrutivas, meses de fisioterapia e muitas perguntas difíceis sobre o que realmente aconteceu naquele voo. Mas ele estava vivo. E, naquele momento, isso era a única coisa que importava para a Tríade.
No entanto, mesmo ali, com a vida de Adrian voltando aos eixos, uma parte de mim ainda estava em Milão. Eu pensava em Chiara acordando na minha cama, espreguiçando-se entre os lençóis, sem ter a menor ideia de que eu tinha passado a noite inteira vigiando seus passos através das câmeras de segurança.
O jogo tinha mudado definitivamente. Eu não era mais apenas o homem que comandava com mão de ferro. Eu era um homem que desejava com uma intensidade que beirava a loucura. E o meu desejo tinha nome, sobrenome e uma ousadia que eu pretendia recompensar pessoalmente assim que colocasse os pés de volta em casa.

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