— Calem a boca, vocês duas — rimos juntas, e eu me servi de um pedaço de torta de ricota.
— Então, garotas — Sofia exclamou, deixando o tablet de lado e se inclinando na minha direção. — Vamos ao que interessa: o que vamos fazer hoje? Ah! Chiara, meu irmão te deu alguma atualização sobre quando ele retorna?
A pergunta me trouxe de volta à realidade dos fatos. Senti um calafrio.
— Ele disse que as coisas não saíram como esperado. Tudo indica que ele vai precisar ficar mais alguns dias. Ele não deu muitos detalhes, Sofia.
Sofia assentiu, compreensiva.
— É o jeito dele. Massimo carrega o mundo nas costas e acha que ninguém pode ajudar. Desde pequeno, ele aprendeu que demonstrar preocupação é o mesmo que mostrar o pescoço para o carrasco. Mas chega de papo pesado! Já que os homens estão fora brincando de guerra, nós vamos aproveitar o dia e, à noite, vamos para a boate.
Giulia se animou na hora. As duas começaram a fofocar sobre pessoas que eu mal conhecia, e eu aproveitei para observar a interação. Havia uma eletricidade diferente entre elas. Sofia parecia fascinada por tudo o que Giulia dizia, e Giulia estava claramente adorando ser o centro das atenções.
— Senhorita Chiara? — a voz de Francesca me interrompeu.
Ela estava parada à entrada da sala, com as mãos cruzadas à frente do corpo e aquela expressão de quem acabou de chupar um limão.
— Sim, Francesca?
— O motorista está aguardando ordens. Ele perguntou se as senhoritas vão sair hoje ou se devem permanecer na mansão.
— Não vamos sair agora, Francesca. Vamos ficar por aqui mesmo — respondi. — Somente à noite.
Francesca assentiu rigidamente e se retirou.
— Ela me dá arrepios — Giulia sussurrou assim que a governanta saiu. — Parece que ela está sempre anotando nossos pecados em um caderninho invisível.
— Ela está — Sofia riu, pegando uma uva. — Mas não se preocupe, Francesca é leal até a morte ao meu irmão, mas ela sabe que não deve mexer comigo. E agora, como você é protegida da Chiara, ela vai ter que te engolir.
Passamos a manhã na biblioteca da mansão. Eu precisava de um pouco de silêncio para processar tudo o que estava acontecendo. Enquanto Giulia e Sofia exploravam os títulos raros e faziam piadas sobre os livros de estratégia militar de Massimo, eu me sentei em uma poltrona de couro perto da janela. Peguei o celular e abri a nossa conversa. A foto da porra escorrendo pelo pau dele ainda estava lá. Olhei por um longo tempo, sentindo o desejo morder novamente. Ele era bruto, era possessivo, era tudo o que eu sempre temi e, secretamente, tudo o que eu desejava. A ideia de que ele estaria "fodendo essa boceta até deixar vermelha", como ele escreveu, me fez apertar as coxas.
— O Massimo vai me matar se souber que estamos acabando com o estoque dele — comentei, aceitando o copo que Sofia me estendeu.
— Ele tem adegas cheias disso, Chiara. E além do mais, ele não pode te negar nada agora. Você o tem na palma da mão — Sofia disse, com um olhar sugestivo.
Giulia sentou-se no banco de madeira, cruzando as pernas e observando o horizonte.
— Sabe, Chiara... eu estava com medo de vir para cá. Mas ver você assim, tão... dona de si, me deixa mais calma. Eu achei que encontraria uma prisioneira, mas encontrei uma mulher que está começando a comandar o castelo.
— Eu ainda não comando nada, Giulia. Só estou aprendendo a não ser esmagada pelas paredes — respondi, sentindo o calor do whiskey descer pela garganta.
— Você está indo bem, cunhada — Sofia levantou o copo em um brinde. — Ao Massimo, que está longe, e à nossa amizade.
Brindamos as três. O sol começou a mergulhar atrás das montanhas, tingindo o céu de cores dramáticas. Naquele momento, cercada pela minha melhor amiga e pela minha nova aliada, a ausência de Massimo doía um pouco menos, mas a expectativa do seu retorno era uma chama que se recusava a apagar.
Eu sabia que, quando ele voltasse, nada seria como antes. O contrato, as regras, a distância... tudo tinha sido queimado naquela troca de mensagens. Agora, era uma questão de tempo até que o fogo nos consumisse pessoalmente. E, pela primeira vez, eu não queria ser salva do incêndio.

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