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Massimo - A Obsessão do Don romance Capítulo 6

POV: Massimo

O ar dentro do galpão abandonado era espesso, carregado de umidade e do cheiro metálico de ferrugem. O som dos meus passos ecoava no concreto, um ritmo lento e deliberado que costumava ser o último som que muitos homens ouviam. No centro do espaço, sob a luz amarela e trêmula de uma única lâmpada pendurada, o motorista estava amarrado a uma cadeira de metal.

Ele estava tremendo. O suor escorria pelo seu rosto, misturando-se ao sangue de um corte no supercílio que um dos meus homens provavelmente tinha causado antes da minha chegada. Assim que me viu emergir das sombras, os olhos dele se arregalaram, tomados por um terror puro e absoluto.

— Massimo... por favor... eu não sabia... — a voz dele falhou, um sussurro desesperado.

Eu não respondi. Tirei o relógio de ouro do pulso, entregando-o a Enzo, e comecei a enrolar as mangas da minha camisa branca. Eu não precisava de armas para isso. Minhas mãos eram instrumentos de trabalho bem treinados.

— Você abriu a porta, não foi, Giovanni? — perguntei, minha voz saindo num tom quase calmo, o que era infinitamente mais assustador do que um grito.

— Eles iam me matar! Eles tinham armas... eu não tive escolha!

Parei diante dele, observando o homem que tinha colocado em risco meses de planejamento da Tríade.

— Todos nós temos escolhas. Você escolheu a sua vida em vez da minha lealdade. Agora, eu vou escolher como você vai pagar pela diferença.

O primeiro soco foi seco. O som do osso do nariz se partindo quebrou o silêncio do galpão. Ele gritou, mas o som foi abafado pelo próximo golpe. Eu não sentia raiva; sentia apenas a necessidade metódica de extrair a verdade. Moretti não teria conseguido a carga sem uma rota exata.

Minutos depois, minhas mãos estavam quentes e pegajosas. Giovanni estava caído para o lado, a cadeira virada, soluçando o nome do lugar onde Moretti escondia o que tinha roubado. Eu limpei o sangue do meu rosto com as costas da mão, sentindo a adrenalina pulsar nas minhas veias.

— Enzo — chamei, sem olhar para trás.

— Chefe.

— Termine com ele. E mande o recado para Moretti da forma usual. Quero o corpo dele pendurado onde os outros ratos possam ver.

Enzo assentiu, mas antes que eu pudesse sair, ele estendeu o tablet.

— A conexão segura foi estabelecida, Massimo. Matteo e Adrian estão na linha. Emergência da Tríade.

Respirei fundo, sentindo o peso do mundo voltar para os meus ombros. Caminhei até o pequeno escritório improvisado no fundo do galpão. Eu estava um lixo. Minha camisa branca estava arruinada, manchada de vermelho escuro, e havia respingos de sangue no meu pescoço e no rosto. Mas na Tríade, ninguém se importava com as aparências, apenas com os resultados.

Liguei o monitor. A tela se dividiu em duas. De um lado, o rosto frio e calculista de Matteo Volkov, sentado em um escritório luxuoso em Moscou, com um copo de vodka na mão. Do outro, a expressão intensa e vigilante de Adrian Keller, nos EUA, cercado por telas de monitoramento tecnológico.

Houve um segundo de silêncio na chamada. Matteo ergueu uma sobrancelha, o interesse brilhando em seu olhar.

— Uma escolha pessoal? Isso é perigoso, irmão. Mulheres fora do nosso mundo são... frágeis.

— Chiara Rossi não é frágil — eu disse, e o som do nome dela na minha boca pareceu estranho naquele ambiente de morte e poder. — Ela é necessária.

— Se ela for seu ponto fraco, ela será o alvo deles — Adrian alertou, seus olhos de águia fixos em mim através da tela.

— Então eu vou transformá-la em uma fortaleza — respondi, levantando-me da cadeira. — Vou resolver Moretti amanhã. E depois disso, vou oficializar o que é meu.

Desliguei a chamada sem esperar as despedidas. Olhei para as minhas mãos sujas de sangue. O mundo da Tríade Negra era violento, frio e impiedoso. Chiara não tinha ideia do que estava prestes a entrar. Mas eu a queria tanto que estava disposto a queimar qualquer um que tentasse tirá-la de mim.

Saí do escritório e encarei Enzo.

— O relatório sobre ela. Quero cada detalhe na minha mesa amanhã de manhã.

Eu ia possuir Chiara Rossi, mas primeiro, eu precisava garantir que o mundo em que eu ia colocá-la ainda estivesse de pé. E para isso, eu precisava de mais sangue.

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