POV: Massimo
Saí do quarto sentindo o peso do ambiente hospitalar me sufocando. O corredor era estreito e silencioso, interrompido apenas pelo som dos meus passos pesados. Damon não demorou a vir atrás de mim. Paramos perto de uma janela que dava para a escuridão daquela cidadezinha isolada.
— E então? — perguntei, sem rodeios. — Além do milagre do Adrian estar vivo, o que mais você descobriu nesses destroços?
Damon suspirou, cruzando os braços e mantendo a voz baixa.
— Os exames de DNA e as arcadas dentárias confirmaram as identidades dos outros três corpos, Capone. Um deles foi identificado positivamente como Tyler.
O nome atingiu meu peito como um soco. Tyler era o segurança pessoal de Adrian, um homem que estava com a nossa família há anos e que teria dado a vida pelo meu irmão — e, pelo visto, deu.
— Tyler... — murmurei, sentindo uma pontada de remorso por mais um homem bom perdido nessa guerra. — Ele era a sombra do Adrian. Se ele estava morto nos destroços, significa que ele lutou até o último segundo.
— Os outros dois eram realmente da tripulação técnica — continuou Damon. — Pelo que investigamos no manifesto e nos restos do avião, só tinham os seis voando no momento do impacto: Adrian, Tyler, dois da tripulação, o piloto e o copiloto. O que confirma que a sabotagem foi cirúrgica. Queriam eliminar todos de uma vez.
Assenti, guardando aquela informação para o acerto de contas final. O cansaço físico começou a cobrar seu preço; a adrenalina da tortura de Nicolo e a viagem às pressas estavam baixando.
— Onde você está ficando? — perguntei a Damon.
— Há uma pousada pequena, bem simples, praticamente ao lado do hospital — ele indicou com a cabeça. — É o único lugar decente por aqui. Estou hospedado lá.
Olhei para o corredor, vendo Matteo saindo do quarto de Adrian com o rosto abatido. A ideia de passar a noite em uma cadeira de hospital não ajudaria em nada na nossa vigilância.
— Sim, senhor. Temos com duas ou três camas — ela respondeu.
— Apenas um quarto com três camas de solteiro — decidi.
Ela cobrou o valor da diária e eu paguei em dinheiro vivo. Assim que ela me entregou a chave, o silêncio do lugar só era interrompido pelo uivo do vento lá fora. Subimos e Matteo entrou primeiro no quarto, sem dizer uma única palavra, apenas querendo apagar o dia exaustivo.
Damon parou na porta do quarto exatamente à frente do nosso.
— Estou logo ali. Qualquer coisa, podem me chamar — ele disse.
Agradeci com um aceno e entrei. Matteo foi direto para o banho e, assim que ele saiu, Enzo seguiu para o banheiro. Joguei meu terno sobre uma cadeira bamba e me sentei na cama estreita. O rangido das molas ecoou no quarto pequeno. Olhei para o teto descascado, a mente ainda girando entre o alívio de ter Adrian e a fúria pela traição, até que o cansaço finalmente começou a vencer a adrenalina.

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