POV: Chiara
Eu sentia o peso do olhar de Massimo sobre o meu decote como se fosse um toque físico. Modéstia à parte, eu sabia que estava uma baita de uma gostosa naquele vestido verde. Nunca tive vergonha das minhas curvas; sou uma mulher plus size e sempre tive orgulho do meu corpo. Teve uma época em que pensei em fazer redução de mama, mas a falta de dinheiro me fez deixar a ideia guardada em uma gaveta. Hoje, olhando o brilho predatório nos olhos dele, eu quase agradecia por não ter feito.
O problema era que eu também o estava admirando. A camisa cinza levemente aberta, o modo como ele segurava a taça de vinho... tudo nele exalava um poder magnético.
Quando nossos olhares se cruzaram, senti meu rosto esquentar. O sorriso de lado que ele deu me disse que ele estava perfeitamente ciente de que eu o estava secando. E ele adorou saber disso.
— Você gosta do que vê, Chiara? — ele perguntou, a voz vibrando num tom baixo que me fez arrepiar.
Eu não disse nada. Simplesmente não conseguia formular uma resposta sem parecer entregue. Mas o sorriso dele cresceu, e senti uma vibração estranha na minha barriga... e em outras partes que eu preferia ignorar.
— Conte-me — ele continuou, mudando de assunto enquanto cortava a carne com elegância. — Como foi sua tarde com o alfaiate?
— Foi ótimo — respondi, tentando manter a voz estável. — Fizemos todos os ajustes necessários para o vestido.
Ele parou o talher no ar, estreitando os olhos.
— Ajustes?
— Sim. Fiz algumas mudanças no projeto inicial.
— Eu já tinha escolhido o modelo, Chiara. Fui bem específico com o Sr. Bianchi.
— Quando você fala sobre "o meio em que vive" e "esposa submissa"... o que exatamente você quer dizer? — questionei, o coração acelerado.
Ele ficou em silêncio, apenas me observando. Não havia nada gentil ou doce em Massimo. Nem na atmosfera, nem no modo como ele se portava, e certamente não nos olhares constantes que ele me dava. Ele era duro, áspero, apesar de todo o exterior arrumado e caro.
Um arrepio percorreu meu corpo enquanto eu lembrava das coisas que encontrei online sobre ele enquanto ainda estava na minha casa. Aquelas palavras batiam na minha cabeça repetidamente: Máfia Italiana. Tríade. Eu não sabia o que isso significava na prática, mas a curiosidade foi maior que o meu instinto de preservação.
— Massimo... o que exatamente você faz para viver? — perguntei, deixando a pergunta pairar no ar entre nós.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Eu estava prestes a descobrir se tinha acabado de cruzar uma linha da qual não haveria volta.

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