POV: Massimo
Eu a observei do alto da escada, apreciando a cena. Chiara parecia pequena no meio do meu hall de entrada, mas a postura dela — os braços cruzados, o queixo erguido e aquele olhar de fogo — dizia que ela não se sentia nem um pouco intimidada. Ou, pelo menos, que morreria antes de admitir que estava.
Ela vestia jeans e uma camiseta simples. Era um contraste gritante com o mármore e os lustres de cristal da mansão, mas, de alguma forma, ela era a única coisa que realmente chamava a atenção naquele espaço. Desci os degraus lentamente, sentindo o peso da minha vitória a cada passo.
— Os motivos não importam agora, querida. O que importa é que você está em casa. E o que é meu, eu nunca deixo escapar.
Parei no último degrau, ficando a poucos centímetros dela. O cheiro de sabonete comum e o batom leve que ela tinha passado me atingiram. Era um cheiro real, humano, que não combinava com as fragrâncias caras das mulheres que costumavam frequentar meus lençóis. E eu adorava isso.
— Minha casa fica a quilômetros daqui, Massimo — ela retrucou, a voz firme, embora eu pudesse ver o leve tremor em suas mãos. — Isso aqui é apenas o lugar onde você me mantém presa.
— Chame do que quiser — respondi, estendendo a mão para pegar a mala pequena que ela carregava. Ela recuou um passo, apertando a alça com mais força. — Eu levo isso para você.
— Eu mesma levo. Não preciso de criados e nem de você fazendo gentilezas falsas.
Sorri. A resistência dela era o tempero que eu precisava. Se ela tivesse vindo chorando e implorando, eu já teria perdido o interesse.
— Venha. Vou mostrar onde você vai dormir.
Eu a conduzi pelo corredor do segundo andar. Enzo e os outros seguranças já haviam desaparecido; naquela casa, quando eu estava presente, ninguém mais ousava circular sem ordem. Parei em frente às portas duplas da suíte master.
— Suas roupas e tudo o que você precisa já estão no closet. Francesca cuidou de tudo — eu disse, abrindo a porta.
— Eu paguei por tudo, Chiara. Cada suspiro seu, cada pensamento, cada centímetro da sua pele... agora são meus. — Inclinei-me e sussurrei contra seus lábios, sentindo o hálito dela acelerado contra o meu. — Mas não se preocupe. Eu não sou um estupr*dor. Eu não vou te forçar a nada... Hoje. Vou esperar até que você mesma implore para que eu te toque. E acredite em mim, querida, isso vai acontecer muito antes do que você imagina.
Soltei o rosto dela e vi o ódio e a confusão lutando em seus olhos. Ela estava furiosa, mas estava lá. Sob o meu teto. Sob as minhas regras. Olhei para o relógio; eram quase onze da manhã.
— Tome um banho e se troque. Francesca servirá o almoço em uma hora. Ela é rigorosa com os horários na mansão, e eu odeio esperar.
Saí do quarto e fechei a porta, ouvindo o som do trinco ecoar. Eu precisava de um drink. Ter Chiara Rossi naquela casa, a poucos metros de distância, era um teste para o meu próprio autocontrole. Mas eu seria um homem paciente. Eu tinha o dinheiro, tinha o poder e agora, finalmente, tinha a peça que faltava no meu tabuleiro.
Ela achava que estava lutando uma guerra, mas a rendição já estava escrita no momento em que ela entrou naquele SUV. Ela só não sabia disso ainda.

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