Assim que entramos no escritório particular, Massimo fechou a pesada porta de carvalho atrás de nós, isolando-nos do restante da casa. O ambiente ainda guardava o aroma sutil do perfume que usei na madrugada e o cheiro persistente de tabaco. Ele caminhou com passos firmes até a sua imensa cadeira de couro atrás da mesa de mogno e sentou-se. Com um aceno ríspido de mão, apontou para a poltrona estofada que ficava exatamente em frente à mesa.
— Sente-se, Chiara — ele comandou, os olhos escuros e afiados cravados no meu rosto.
Caminhei devagar e me sentei na poltrona, cruzando as pernas e tentando manter a coluna ereta. Eu me recusava a parecer intimidada, mesmo sabendo o poder que ele exercia. Apoiei as mãos nos braços da poltrona e sustentei o olhar dele.
Massimo inclinou-se um pouco para a frente, apoiando os antebraços na madeira escura. A pasta de couro preto com o contrato de casamento continuava ali, no mesmo lugar.
— Você tem alguma coisa que queira me falar, Chiara? — ele perguntou, a voz saindo mansa, quase casual, mas cheia de segundas intenções.
— Não — respondi de imediato, mantendo o tom firme e a expressão neutra.
Ele ergueu uma sobrancelha, os olhos se estreitando milimetricamente.
— Tem certeza disso?
— Sim, tenho certeza — retruquei, sustentando o jogo de encaradas.
Massimo soltou um suspiro curto, o canto dos seus lábios se curvando em um sorriso de lado, sombrio e quase divertido com o meu orgulho.
— Então você vai me dizer que não esteve neste escritório durante a madrugada?
No mesmo milésimo de segundo em que a pergunta saiu da boca dele, a imagem de Francesca me veio à mente. Senti uma onda de irritação pura revirar o meu peito e a minha língua funcionou sem que eu tentasse conter.
— Mas que velha linguaruda! — exclamei, a voz saindo carregada de indignação.
O sorriso de canto de Massimo se acentuou um pouco mais, achando graça da minha reação explosiva, mas ele permaneceu em silêncio, esperando que eu continuasse.
— Aquela mulher não conseguiu nem esperar o dia amanhecer direito e já correu para fazer fofoca e levar a história para você? Que par de asas ela tem para voar tão rápido até o Don? — debochei, cruzando os braços e bufando de frustração.
— Ótimo. Já que você leu e já tem conhecimento de todos os termos, então nós já podemos assinar o documento agora — ele disse, o tom de voz calmo e definitivo.
Olhei para a caneta dourada na mão dele e depois para o rosto dele, sentindo a raiva começar a borbulhar novamente.
— Você só pode estar brincando, Massimo. Não é assim que as coisas funcionam. Você não pode simplesmente me entregar uma caneta e esperar que eu assine a minha própria sentença de posse sem questionar.
— É simples, Chiara — ele rebateu, a voz firme, sem vacilar por um segundo. — Nós dois só precisamos assinar este documento hoje. E depois, eu darei ordens para que comecem a programar a nossa cerimônia de casamento religioso e legal. É apenas uma formalidade que precisa ser cumprida para consolidar a sua posição e a minha.
— Uma formalidade? — levantei-me da poltrona, incapaz de continuar sentada diante daquela frieza. Apoiei as duas mãos na borda da mesa de mogno, inclinando-se na direção dele. — Massimo, eu li aqueles termos. Eu não concordo com todos os termos do contrato! A cláusula de obediência cega, a ideia de que eu sou sua propriedade exclusiva, e aquela ameaça velada sobre a vida do meu pai caso eu tente fazer qualquer coisa... Isso é um absurdo! Eu não vou assinar algo que me transforma em um objeto sob as suas ordens.
Massimo não se mexeu. Ele continuou sentado, segurando a caneta dourada entre os dedos, olhando para mim com uma frieza que parecia congelar o ar do escritório. O rosto dele transformou-se em uma máscara de autoridade absoluta, o Don assumindo o controle total do ambiente.
— Eu não vou mudar nenhum dos termos do contrato, Chiara — ele falou, a voz saindo pausada, gélida e inquestionável. — Os termos são esses. Eles foram desenhados para garantir a sua segurança e a lealdade que a minha posição exige. Você vai assinar, porque essa é a única forma de mantermos o acordo que salvou a vida do seu pai. Não há espaço para alterações.

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