CLÁUSULA III: DA EXCLUSIVIDADE (A POSSE)
3.1. A PARTE B renuncia a qualquer contato com figuras masculinas externas, salvo familiares diretos sob supervisão.
3.2. A PARTE A detém o direito de exclusividade sobre o corpo, o tempo e os pensamentos da PARTE B. O que o Don deseja, ele toma.
— O que o Don deseja, ele toma... — repeti as palavras, sentindo um arrepio que era um misto de tesão e pura fúria. Massimo era um homem possessivo, eu já tinha sentido isso na pele, no formato das suas mãos e nas ordens que ele me dava na cama. Mas se ele achava que a exclusividade seria uma via de mão única, ele estava redondamente enganado. — Você quer exclusividade sobre o meu corpo, Massimo? Pois saiba que eu também terei exclusividade absoluta sobre o seu. Você não está autorizado a tocar em nenhuma outra mulher neste mundo. Se você é meu Don, eu sou a sua única dona.
Meus pensamentos involuntariamente voaram para longe, cruzando com a imagem de Elettra.
Voltei os olhos para a última parte do documento, onde os termos tornavam-se ainda mais sombrios.
CLÁUSULA IV: DA RESCISÃO
4.1. Este contrato não possui cláusula de rescisão por vontade da PARTE B.
4.2. A única forma de dissolução deste acordo é por decisão unilateral da PARTE A ou pelo falecimento de uma das partes.
4.3. Em caso de tentativa de fuga, a PARTE B aceita que a "vida por vida" prometida será cobrada de seu ente protegido.
Terminei de ler e fechei os olhos por um segundo, sentindo o peso daquela última frase esmagar qualquer resquício de ingenuidade que eu ainda tivesse. "Vida por vida". Se eu tentasse fugir, meu pai pagaria com a própria vida. O contrato era, na verdade, uma sentença de vinculação eterna. Eu estava presa a Massimo Capone por laços de sangue, dinheiro e poder.
Ainda perdida no turbilhão de emoções que o papel me causou, o silêncio do escritório foi abruptamente quebrado. O som da maçaneta girando ecoou forte e a porta se abriu de uma vez.
— O meu lugar nesta casa, Francesca, é exatamente onde eu quiser estar — retruquei, a voz saindo cortante como uma lâmina. — E caso você tenha esquecido, ou a sua memória esteja falhando devido à idade, eu sou a noiva do homem que governa esta mansão. Eu sou a futura senhora Capone. Portanto, se há alguém aqui que precisa lembrar qual é o seu lugar, esse alguém é você. Você é uma funcionária, uma governanta. O seu trabalho é cuidar da limpeza e dos empregados, não policiar os meus passos ou tentar me ameaçar.
O rosto de Francesca mudou de cor instantaneamente, passando de uma palidez fria para um tom avermelhado de pura raiva. Ela cerrou os punhos ao lado do corpo, claramente ultrajada com a minha audácia.
— A senhorita é apenas uma garota insolente que não entende onde se meteu — ela sibilou, dando um passo atrás. — Veremos se manterá esse mesmo tom quando o Don souber que você anda espionando os negócios dele pelas costas.
— Conte a ele, Francesca. Vá correndo contar — desafiei, dando de ombros com um desdém fingido que a irritou ainda mais. — Conte que eu estava aqui. E aproveite para perguntar a ele se ele precisa que você interfira na relação dele com a mulher que ele colocou na própria cama. Agora, saia da minha frente. Eu vou voltar para o meu quarto.
Não esperei por uma resposta. Passei por ela como um furacão, esbarrando propositalmente no ombro dela enquanto cruzava a porta do escritório. Subi as escadas a passos largos, com o coração batendo no peito feito um tambor enlouquecido.
Quando entrei no quarto e tranquei a porta atrás de mim, joguei-me de volta na cama vazia. Encarei a escuridão, sentindo a minha mente rodar em círculos. Entre a raiva das cláusulas abusivas daquele contrato e a discussão com Francesca, eu sabia que os dias de calmaria estavam definitivamente acabados. Eu pertencia a Massimo, por contrato e por escolha, mas ele logo descobriria que ter a posse de Chiara Rossi exigiria muito mais do que termos jurídicos em uma pasta de couro.

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