Ao ouvir as palavras cortantes de Paulo, Edite sentiu seu coração completamente dormente.
De certa forma, isso era bom. Afinal, ela nunca foi realmente a mãe de Paulo, e agora tudo ficaria mais fácil assim.
Ela decidiu se retirar definitivamente da vida daquele pai e filho, permitindo que tudo voltasse ao seu devido lugar!
Edite desviou o olhar, virou-se e caminhou em direção à porta.
"Edite..."
"Tosse, tosse! Tosse, tosse—"
Davi percebeu a mudança no rosto de Paulo. "Paulo?"
Paulo estava com dificuldade para respirar, segurando o peito enquanto caía no chão!
"Paulo!" Davi pegou Paulo nos braços e virou-se para gritar com Edite: "Paulo está tendo uma crise de asma!"
Edite hesitou por um momento ao abrir a porta.
"Mamãe... tosse, tosse! Mamãe..."
Paulo, nos braços de Davi, com o rosto pálido e respirando com dificuldade, instintivamente estendeu a mão para Edite em busca de socorro: "Mamãe, eu estou mal... tosse, tosse..."
A mão de Edite apertou o puxador da porta.
Ela fechou os olhos com força, dizendo a si mesma para não se deixar abalar. Davi estava lá, ele não deixaria Paulo em perigo...
"Onde está o remédio do Paulo?!"
Edite ficou paralisada por um momento e virou-se.
Davi estava ali, segurando Paulo, que lutava para respirar, olhando para ela.
O rosto pálido de Paulo já não tinha mais a raiva e a resistência de antes, apenas fragilidade e tristeza.
O coração de Edite apertou dolorosamente, e ela soltou o puxador, correndo direto para o quarto infantil no segundo andar.
Davi a seguiu, ainda segurando Paulo.
No quarto infantil, Edite abriu a primeira gaveta do criado-mudo e pegou o remédio...
Depois de tomar o remédio, Paulo se acalmou e adormeceu rapidamente nos braços de Edite.
Edite o colocou na cama e o cobriu com o cobertor.
Durante todo o processo, ela não disse uma palavra, nem olhou para Davi.
Davi ficou de lado, observando-a cuidar de Paulo com cuidado, e seus olhos ficaram cheios de ternura.
Edite deu uma última olhada no rosto pálido de Paulo, levantou-se e começou a sair do quarto.
"Edite."
Davi chamou por ela.
-
Branca chegou enquanto Edite caminhava pela estrada.
A neve e o vento eram intensos, e ela estava vestida de forma inadequada, com neve cobrindo sua cabeça e corpo.
Branca parou o carro, abriu a porta do motorista e, reclamando, correu em direção a Edite, sacudindo a neve do corpo dela. "Você tá maluca?! Com essa nevasca, não podia esperar dentro da casa?!"
A voz de Edite estava quase inaudível no meio do vento e da neve: "Eu não queria ficar naquele lugar nem por um minuto."
"Você já ficou lá por mais de cinco anos! Não podia esperar um pouco mais?!"
Os cílios de Edite estavam congelados pela neve, e ela esboçou um sorriso leve. "Não vou morrer, mas é insuportável..."
Branca parou, percebendo que algo estava errado com o estado emocional dela, e engoliu as palavras de repreensão, suspirando enquanto a levava para o carro.
Com a porta fechada, ela pegou um cobertor do banco de trás e envolveu o corpo trêmulo de Edite.
"Por que você é tão teimosa?! Davi é um idiota, mas você não precisa se torturar por causa dele! Ainda mais agora que está grávida..."
"Branca."
Branca parou, olhando para o rosto dela, pálido de tanto frio. Sentia uma frustração que beirava a impaciência, então seu tom não foi dos melhores: "O que foi agora?!"
"Me ajuda a marcar a cirurgia, por favor."
Branca ficou um instante em silêncio, apertou os lábios, querendo dizer algo. No entanto, no final, só conseguiu soltar uma única palavra: "Certo."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laço de Sangue? Laço de Mentira!
Ah não oooo. Por favor, postem mais. Esse livro é ótimo...