"Ouvi dizer que o Sr. Fortes não costuma aceitar casos facilmente, mas há cinco anos ele surgiu do nada para me defender. Fiquei curioso."
"Ele e eu..." Edite hesitou, mas manteve a expressão tranquila. "Não somos muito próximos. Foi meu orientador quem nos apresentou. O Sr. Fortes aceitou ajudar por consideração a ele."
Beatriz assentiu ao ouvir isso. "Entendi. Estava pensando que agora que estou fora, poderíamos comprar alguns presentes e agradecê-lo formalmente."
Edite se apressou em responder: "Não precisa!"
Beatriz ficou confusa. "Por quê?"
Edite inventou uma desculpa rapidamente: "Já enviei um presente. Além disso, meu orientador mencionou que o Sr. Fortes não gosta de ser incomodado por pessoas de fora."
Beatriz assentiu novamente. "Ah, se é assim, então está bem."
Edite respirou aliviada, despediu-se de Beatriz e seguiu para o cartório.
...
Dez e meia da manhã.
Edite já estava no cartório esperando há duas horas.
Davi ainda não tinha chegado.
Ela ligou para Davi três vezes, mas ele não atendeu.
A paciência dela estava se esgotando.
Quando estava prestes a ligar pela quarta vez, o telefone tocou. Era Davi.
Ela atendeu imediatamente, com a irritação evidente na voz: "Davi, você vem ou não vem?"
"Estou no hospital," respondeu Davi friamente. "Paulo está fazendo birra e quer te ver. Não consigo acalmá-lo. Venha para o hospital."
"Agora são dez e meia. Primeiro venha para que possamos finalizar o divórcio..."
Tu, tu, tu—
A ligação foi interrompida!
Edite ficou tão irritada com o tom ocupada no telefone que sua respiração ficou descompassada.
Após pensar um pouco, Edite decidiu ir ao hospital.
Se Davi não vinha, ela mesma o buscaria!
-
Na porta do quarto de Paulo, Edite bateu.
Logo, a porta se abriu por dentro.
No passado, a reação de Paulo seria diferente.
Quando sabia que ela estava doente ou machucada, a primeira preocupação de Paulo era por ela. Agora, ele só pensava na própria satisfação.
Olhando para Paulo, Edite percebeu, um tanto aturdida, que o menino que ela cuidou por mais de cinco anos havia mudado bastante em pouco mais de uma semana...
"Paulo ainda não comeu. Sua mão está machucada, então vou pedir para a empregada da Família Fortes trazer os ingredientes. Você só precisa instruí-la."
Edite franziu a testa. Queria recusar, mas ao pensar que Paulo não tinha comido o dia todo, não conseguiu resistir.
Acabou seguindo o plano de Davi.
Em cerca de dez minutos, a empregada da Família Fortes trouxe os ingredientes para o quarto.
A suíte do hospital era bem equipada e, em meia hora, o mingau e o peixe ao molho estavam prontos.
Paulo, apesar de ainda não estar muito feliz, estava faminto, e com a ajuda da empregada e de Edite, comeu metade de uma tigela de mingau.
"Mamãe, você não gosta de peixe também? Aqui, ah~"
Paulo, de repente, pegou um pedaço de peixe e o levou até a boca de Edite.
Um cheiro forte e inesperado de peixe tomou conta do ar, fazendo Edite franzir a testa e sentir o estômago revirar. Rapidamente, ela cobriu a boca com a mão e se virou, correndo em direção ao banheiro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laço de Sangue? Laço de Mentira!
Ah não oooo. Por favor, postem mais. Esse livro é ótimo...