Artemísia
— Desculpa ter chegado sem avisar — disse Vanessa, enquanto eu a abraçava forte.
Tenho amigas lobas, mas acho que elas não me entenderiam. Todas acreditam que ser uma Luna é um sonho encantado. É como se pensassem: você é rica, tem um futuro companheiro lindo… qual é o seu problema?
Gosto da amizade das ômegas também, são divertidas. Ainda assim, Vanessa, mesmo sendo humana, se parece mais comigo. Ela entende o peso que uma decisão errada pode trazer. Vida ou morte para os meus.
— Vocês do Norte serão sempre bem-vindos em minha casa, cunhada.
Abraço Adrian também. Nunca vi meu irmão tão relaxado. Nunca o vi sorrir com tanta facilidade.
As servas colocam mais dois pratos na mesa.
— Este é meu avô, Gustavo, o Alfa oficial de Garras de Gelo até a minha cerimônia.
Todos começam a comer, e Vanessa passa a contar sobre as belezas de Arcádia, deixando as ômegas maravilhadas.
— Onde vai ser sua lua de mel, Artemísia?
Parei para pensar.
— Vô?
— Ah, não. Essa parte eu deixei por conta de vocês. — Meu avô se esquiva.
— Felipe?
— Eu não tinha certeza se você queria uma… — ele responde, desconfiado.
Olho para Vanessa, que exibe um sorrisinho enigmático.
— Vamos pensar em algo.
Liliane e Lucila parecem aliviadas por receber reforço. Logo entram em um debate animado sobre lembrancinhas. Aparentemente, não podem faltar nos casamentos humanos, e Vanessa quer trazer o costume para a minha cerimônia.
Felipe me observa de vez em quando, furtivamente. Talvez esteja pensando o mesmo que eu: o único lugar onde começamos a nos conhecer foi na intimidade — e, ainda assim, eu trouxe problemas junto comigo.
Suspiro, decepcionada comigo mesma.
— Então está combinado assim: vocês cuidam do casamento, e eu cuido da noiva.
— Certo! — Liliane e Lucila respondem em uníssono, batendo palminhas como meninas animadas.
Não consigo evitar ser contagiada um pouco, embora minha mente continue martelando: daqui a dois dias haverá dois funerais. Preciso decidir com as famílias se permanecerão aqui ou se partirão.
Depois do almoço, sou praticamente arrastada pela minha cunhada até o quarto.
— E o que você preparou para a noite de núpcias? — Ela arqueia a sobrancelha.
Sento-me na beirada da cama, confusa.
— Não tive muito tempo para isso. Tenho outro problema.
Pego o laudo da médica do SPA que me atendeu na despedida de solteira e mostro a ela.
Vanessa me encara de boca aberta.
— Você… sério? Já iniciou tudo isso aqui?
Nego com a cabeça.
E, pela primeira vez naquele dia, sinto-me genuinamente animada para a lua de mel.
**Liliane**
Corro para o quarto.
Amo a ideia de ele ser meu companheiro, mas meu coração b**e tão forte que parece martelar contra minhas costelas. Como ficaria minha família se eu fosse companheira de um Alfa? Eu poderia ficar com ele, não poderia? Aquiles chegou e em pouco tempo roubou completamente meu coração.
— Você ficou com ele? Está tudo bem? Parece meio pálida.
Lucila me observa com curiosidade.
— Está tudo bem, Lucila.
— Vai tomar um banho. A Luna vai sentir o cheiro dele em você.
Entro no chuveiro apressadamente.
— Você viu como o Alfa Gustavo cortou a cabeça daqueles dois lobos com facilidade? Ele é incrível, não é?
— Eu achei aterrorizante. Isso, sim.
Lucila mantém um sorriso sonhador no rosto.
— Você ainda é muito menina para essas coisas, Lucila. Precisa estudar e arrumar um jeito de tirar essas ideias da cabeça.
Ela faz uma careta típica de menina levada e põe a língua para fora.
Que a deusa coloque juízo naquela cabecinha.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...