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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 217

Aquiles

Observo Liliane escrevendo minuciosamente cada detalhe no caderno de noiva da minha irmã; que, assim como minha mãe, tem interesse mínimo por essas coisas.

A deusa certamente tem um humor estranho. Passei dois anos procurando minha companheira em cada festa dada pelo Rei Lucien, na casa de cada conhecido que desejava casar a filha.

E agora estou aqui, observando a única fêmea que não tem medo de mim.

Que me quer.

Que responde ao meu lobo com energia e entusiasmo.

E terei que esperar mais de dois meses.

Ela anda de um lado para o outro na minha frente, enquanto eu luto contra a necessidade quase dolorosa de puxá-la para mim.

— Aquiles, podemos ir ao ginásio para ter uma ideia do tamanho dos arranjos?

— Claro, vamos dar uma olhada.

O que poderia dar errado?

Qualquer coisa, eu estaria próximo para protegê-las.

Qualquer coisa, eu estaria próximo para protegê-las.

Ao chegarmos, um tumulto já estava formado. Vimos Gustavo se esquivar rapidamente e, num único movimento preciso, cortar a cabeça de dois lobos.

Puxei as duas para fora na mesma hora.

— Melhor usarem a criatividade só nos arranjos — tentei aliviar o clima.

Mas nenhuma das duas abriu a boca.

E, para duas tagarelas como elas, isso é preocupante.

Quando chegamos em casa, deixei que Lucila entrasse primeiro e segurei Liliane pelo braço.

Eu podia ouvir o coração acelerado dela. A necessidade de confortá-la falou mais alto que o meu bom senso. Abri a porta do meu quarto e a trouxe para dentro, abraçando-a contra o meu peito.

— Desculpe por isso. Eu deveria ter imaginado que algo assim poderia acontecer.

— Não se desculpe. Foi impactante… mas aparentemente é para isso que os Alfas nascem.

O tom dela estava diferente.

Não era acusador.

Era… decepcionado.

— Você ficou chateada?

Ela se afastou fisicamente de mim e cruzou os braços ao redor do próprio corpo, como se estivesse tentando se proteger.

— Está com medo de mim agora?

Ela me encarou em silêncio.

— Ótimo. Percebeu que sou perigoso agora, Liliane?

Ela balançou a cabeça em negativa, mas a vi engolir em seco, claramente travando uma batalha interna.

— Isso só me fez perceber o quanto somos dramaticamente inadequados um para o outro, Aquiles.

Abri a porta, indicando que ela era livre para sair.

Minha mão formigava com o desejo de explorar mais, usei toda a força de vontade para mantê-la ali, firme na cintura dela.

Ela não facilitou meu cavalheirismo.

Suas mãos subiram e desceram pelas minhas costas, ansiosas por algo além.

Só interrompi o beijo quando nosso fôlego acabou. Encostei minha testa na dela.

— Você será minha… Quando sua loba despertar, eu sei que será minha companheira, Liliane.

Confessei ainda ofegante.

Achei que ela gostaria de ouvir aquilo.

Que ficaria mais tranquila.

Mas ao invés disso, sua boca formou um perfeito “o” — e, no instante seguinte, ela saiu em disparada para o próprio quarto.

Fiquei parado, confuso.

Afinal… ela gosta ou não de mim?

Será que o que sente é apenas desejo?

Será que quis apenas descobrir como seria um Alfa na cama para depois me descartar, como as outras?

Todas passaram pela minha cama.

Nenhuma voltou espontaneamente para uma segunda vez.

Ah… mas eu vou descobrir. Se ela for minha companheira não haverá lugar em que possa se esconder de mim.

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