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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 175

Vanessa Bragança

Deitada de lado entre folhas e galhos, minha visão estava turva; consegui distinguir um homem aproximando‑se com uniforme camuflado, colete à prova de balas e uma arma grande na mão.

— Está segura agora. Preciso que fique quieta e em silêncio, pode fazer isso? — perguntou ele.

Balancei a cabeça em sinal de sim. Aos poucos começaram a chegar vozes alteradas: minha tia gritava; o homem que cavava a cova repetia desesperado:

— Não atirem!

Outro homem uniformizado empurrou minha tia, algemando‑a pelas mãos.

— Foi só um mal‑entendido. Era uma brincadeira que eu ia fazer com a minha sobrinha. Eu jamais a machucaria, fala pra eles, Vanessa! — implorou ela, virando‑se para mim com os olhos pedindo que eu mentisse por ela.

Era inacreditável.

Adrian surgiu vestido com a mesma roupa militar dos outros; não segurava arma, mas era notório quem dava as ordens; os homens o cumprimentavam com o aceno de cabeça.

O homem cortou a fita que prendia meus tornozelos e, em seguida, a dos meus pulsos.

— Obrigada — sussurrei, uma palavra que saiu com alívio. Eu ainda estava na confusão entre o ardor na garganta e a tentativa de entender o que ocorria.

— Disponha, Luna Vanessa —O homem respondeu, enquanto eu observava Adrian aproximando‑se com postura calma, o olhar tempestuoso e o maxilar apertado.

— Nossa Luna está entregue, Supremo — disse Beta Ajax, quando passou por nós.

Ele se inclinou até mim e, com as pontas dos dedos, acariciou meu rosto. As lágrimas começaram a rolar silenciosas; quando ele me abraçou, um soluço brotou do meu peito, como se uma represa tivesse estourado.

Abracei‑o com força. Ele me afastou delicadamente, segurou meu queixo entre indicador e polegar e falou com firmeza:

— Preciso que tome uma decisão agora. Sua tia e os dois cúmplices estão no carro. Você deseja que cheguem à delegacia vivos?

Não queria, de verdade, mais ver aqueles infelizes. Ainda assim, não queria sangue em minhas mãos.

— Eu a busquei no Oriente. Os pais dela são rígidos e confiaram a filha a mim. Prometi mantê‑la a salvo, Aquiles.

— Parem com isso! — minha avó gritou.

— Nós não fizemos nada. E se quer realmente saber, meu lobo já a vê como dele! — Soltei a bomba de uma vez.

Artemísia ficou petrificada.

— Você não pode fazer isso com ela... — sussurrou, a voz quebrada.

— Ah, sim — retruquei. — Esqueci que sou maldito e não posso amar ninguém, não é, Artemísia?

Ela não tinha palavras de consolo. — Ela não aguentaria, Aquiles... — murmurou, quase um sussurro.

— Eu não preciso de herdeiros. Não posso receber e dar carinho por isso? Sou tão amaldiçoado aos seus olhos assim? — conclui, deixando a pergunta no ar, mais para mim do que para ela.

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