Vanessa Bragança
Deitada de lado entre folhas e galhos, minha visão estava turva; consegui distinguir um homem aproximando‑se com uniforme camuflado, colete à prova de balas e uma arma grande na mão.
— Está segura agora. Preciso que fique quieta e em silêncio, pode fazer isso? — perguntou ele.
Balancei a cabeça em sinal de sim. Aos poucos começaram a chegar vozes alteradas: minha tia gritava; o homem que cavava a cova repetia desesperado:
— Não atirem!
Outro homem uniformizado empurrou minha tia, algemando‑a pelas mãos.
— Foi só um mal‑entendido. Era uma brincadeira que eu ia fazer com a minha sobrinha. Eu jamais a machucaria, fala pra eles, Vanessa! — implorou ela, virando‑se para mim com os olhos pedindo que eu mentisse por ela.
Era inacreditável.
Adrian surgiu vestido com a mesma roupa militar dos outros; não segurava arma, mas era notório quem dava as ordens; os homens o cumprimentavam com o aceno de cabeça.
O homem cortou a fita que prendia meus tornozelos e, em seguida, a dos meus pulsos.
— Obrigada — sussurrei, uma palavra que saiu com alívio. Eu ainda estava na confusão entre o ardor na garganta e a tentativa de entender o que ocorria.
— Disponha, Luna Vanessa —O homem respondeu, enquanto eu observava Adrian aproximando‑se com postura calma, o olhar tempestuoso e o maxilar apertado.
— Nossa Luna está entregue, Supremo — disse Beta Ajax, quando passou por nós.
Ele se inclinou até mim e, com as pontas dos dedos, acariciou meu rosto. As lágrimas começaram a rolar silenciosas; quando ele me abraçou, um soluço brotou do meu peito, como se uma represa tivesse estourado.
Abracei‑o com força. Ele me afastou delicadamente, segurou meu queixo entre indicador e polegar e falou com firmeza:
— Preciso que tome uma decisão agora. Sua tia e os dois cúmplices estão no carro. Você deseja que cheguem à delegacia vivos?
Não queria, de verdade, mais ver aqueles infelizes. Ainda assim, não queria sangue em minhas mãos.
— Eu a busquei no Oriente. Os pais dela são rígidos e confiaram a filha a mim. Prometi mantê‑la a salvo, Aquiles.
— Parem com isso! — minha avó gritou.
— Nós não fizemos nada. E se quer realmente saber, meu lobo já a vê como dele! — Soltei a bomba de uma vez.
Artemísia ficou petrificada.
— Você não pode fazer isso com ela... — sussurrou, a voz quebrada.
— Ah, sim — retruquei. — Esqueci que sou maldito e não posso amar ninguém, não é, Artemísia?
Ela não tinha palavras de consolo. — Ela não aguentaria, Aquiles... — murmurou, quase um sussurro.
— Eu não preciso de herdeiros. Não posso receber e dar carinho por isso? Sou tão amaldiçoado aos seus olhos assim? — conclui, deixando a pergunta no ar, mais para mim do que para ela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...