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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 176

Vanessa Bragança

Adrian me colocou no banco de trás e entrou logo em seguida, acomodando-me em seu colo. Ajax assumiu a direção e seguimos para casa.

— Pai… houve alguma coisa entre você e a minha tia?

Eu ainda procurava respostas. Precisava entender.

— Não. Quer dizer… nosso casamento foi um acordo entre famílias, você sabe disso. Era para eu me casar com uma das filhas da família da sua mãe, mas eu escolhi sua mãe. Ela era meiga, inteligente… assim como você. E tinha uma beleza rara, natural, minha filha.

As lágrimas escorreram pelo rosto dele.

— Eu pensei que fosse te perder também. — sua voz embargou enquanto me abraçava como se eu pudesse desaparecer a qualquer momento. — Eu estava reunindo minha equipe quando Adrian ligou dizendo que tinha te encontrado. Nunca serei grato o suficiente a ele por isso.

— Eu também. — respondi, olhando para Adrian ao meu lado. — E quanto à minha tia? O que vai acontecer com ela?

— Vou garantir que ela e os cúmplices passem o resto da vida na cadeia. Você nunca mais vai precisar se preocupar com isso, minha filha.

— Obrigada, pai.

Subi para o meu quarto aliviada por não precisar ir à delegacia naquela noite. Meu pai havia acertado para que tudo ficasse para o dia seguinte.

Parei diante do espelho. A imagem refletida parecia a de um farrapo de mulher. As roupas leves que eu tinha colocado pela manhã estavam sujas e amassadas. Meu corpo, principalmente o lado esquerdo, estava marcado por círculos avermelhados e arroxeados. O cabelo desgrenhado, o rosto inchado, os olhos vermelhos.

Ouvi batidas suaves na porta.

— Entre, Adrian.

De alguma forma, eu sabia que era ele.

Ele entrou e me abraçou. Não perguntou como eu estava. Ele não é tão clichê. Apenas começou a me ajudar a tirar a roupa e me conduziu até o banheiro.

Suas mãos fortes se moveram com uma delicadeza surpreendente enquanto me ensaboava. Depois me secou com cuidado e me levou para a cama, cobrindo-me com o lençol. Em seguida, voltou ao banheiro para tomar o próprio banho.

Fiquei ali, imóvel, como se ainda estivesse presa em um pesadelo. Minha tia… aquela que passou vários Natais em nossa casa, vários aniversários e viagens. Uma morta por dentro, assassinando a pessoa mais importante da minha vida.

— Você precisa parar de tentar encontrar um “porquê”. — a voz de Adrian veio calma. — Existem pessoas que são más por natureza.

Não respondi. Ele estava certo.

Aquela mulher era tão cuidadosa e gentil durante o câncer da minha mãe. Tudo uma mera farsa.

Adrian voltou já vestido e fez menção de sair. Segurei sua mão.

Ele entendeu meu pedido silencioso, deitou-se ao meu lado e passou a acariciar meus cabelos. Foi ali, apoiada em seu peito, que finalmente me permiti chorar em silêncio.

** Aquiles***

Eu entendia perfeitamente o ponto de vista de Temi e admirava o carinho que ela tinha por Liliane. Mas, com todo respeito… eu iria caminhar com ela, e meu lobo definitivamente não tinha boas intenções.

Sorrio. Ela veste uma legging justa. Sei exatamente onde ela quer chegar, mas finjo inocência.

— Que mal pode haver? E lua cheia a floresta fica iluminada e linda.

Dou um sorriso inocente

O cheiro dela se intensifica, mas continuo fingindo não perceber.

— Hum. Está bem — responde, por fim.

Vou até atrás de uma árvore, penduro minhas roupas em um galho e retorno à forma de lobo. Me abaixo à sua frente. Liliane passa uma perna sobre mim e faz exatamente o que eu queria: Cola seu corpo ao meu.

Levanto-me com cuidado e começo a avançar pela floresta, ouvindo os uivos dos outros lobos ecoarem ao redor, soando como um chamado antigo.

— Por que tenho a impressão de que saí do fogo para cair na frigideira, Aquiles? — ela murmura.

Aumento a velocidade aos poucos, obrigando Liliane a se agarrar com mais força. Sinto a maciez de seus seios pressionados contra minhas costas, a delicadeza de suas coxas ao meu redor. Logo, percebo o calor e a umidade de sua intimidade colada em mim.

Meu lobo praticamente voa, desviando das árvores, saltando troncos e pedras pelo caminho.

Depois de alguns minutos, sinto sua intimidade começar a pulsar, estimulada pelo movimento de nossos corpos colados e pelos meus próprios feromônios.

Uma satisfação profunda e instintiva de macho me atinge.

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