Artemísia
— Já decidimos tudo o que precisávamos. Vamos descer.
Falo encabulada.
— Claro, minha Luna.
O jeito como ele diz isso me aquece, mesmo contra a minha vontade.
Passei a noite me revirando na cama, o que resultou em um péssimo humor matutino.
Após uma discussão no café, subo para o quarto esbravejando. Nem percebo que ele vem atrás de mim. A porta se fecha, trancada por dentro.
— Acha que pode me desafiar o tempo todo só porque seu sangue é Alfa e o meu é Beta, Artemísia?
— Eu não te desafiei. Apenas expus meu ponto de vista.
— Daquele jeito desrespeitoso? Você merece um corretivo.
Solto uma risada involuntária. Ele não teria coragem de me castigar na casa dos meus avós.
— Tente, Beta.
Seus olhos clareiam, revelando o lobo. Ativei algo errado nele. O modo caça. Não... virei rápido e tentei correr.
Felipe me segura pela cintura e me ergue como se eu não pesasse nada, apesar dos socos e chutes. Ele prende minhas mãos acima da cabeça.
— Você me provoca e depois quer correr? hum,hum.
Com a mão livre, rasga minha roupa de baixo de cima a baixo. Quando sinto suas garras afiadas roçarem minha pele, arqueio as costas fico imóvel, com medo de me cortar.
— Muito inteligente. Agora fique bem quieta, se não quiser piorar a situação para nós dois.
Ele passa o pé entre os meus, afastando minhas pernas. Algo estava errado: em vez de medo, sinto curiosidade.
Felipe passa a mão do pescoço até a base da minha coluna, me dá um tapa na bunda, pegando-me de surpresa. Não usou toda a força, mas ainda assim doeu.
— Desgraçado. Filho da puta — rosno entre dentes, para não chamar atenção.
Ele aproxima a boca do meu ouvido. — O primeiro foi pelo mau comportamento no café da manhã.
Outro tapa.
— Esse foi por xingar minha mãe.
Mais um.
— E esse por me xingar. Não te ensinaram a se comportar, Artemísia?
Tenho certeza de que vou ficar dias sem sentar.
— Vai pro inferno.
Ele alisa o local antes de dar outro tapa.
Mordo os lábios, segurando qualquer som.
— Agora peça desculpas ao seu Alfa.
Demoro a responder, e outro tapa vem como resposta.
— Desculpa, Alfa — digo entre dentes.
Ele me solta.
Levanto o rosto e o encaro, furiosa.
**Adrian**
Lembro-me dela reclamar inúmeras vezes que ele não era para mim por causa da nossa diferença de classe.
Uma amiga minha chegou perto e mudamos o assunto para algo trivial.
— Vanessa, pode vir ao banheiro me ajudar a ajustar o biquíni?
— Claro. Com licença, tia. Já volto.
Quando saímos de perto da minha tia, ela me olhou com olhos preocupados.
— Vanessa, eu estava saindo de um dos banheiros quando vi sua prima entrar em um banheiro logo depois do seu noivo.
Meu sangue gelou.
— Você tem certeza disso? — sussurrei, incrédula. Hoje pela manhã ele tinha me dado vários orgasmos; eu não era sua Luna? Sua metade?
Que inferno! Por que todos os meus homens são vagabundos?
Senti um calor subir pelo corpo e meu rosto aqueceu.
— Achei melhor contar a você — Carla está vermelha como tomate maduro, sempre brigou por mim com qualquer um desde a infância — melhor antes do casamento do que depois, né?
— Você está certa. Obrigada por me contar, Carla.
Marchei até os banheiros com Carla no meu encalço. Ela me indicou em qual deles eles estavam.
Ao nos aproximarmos, pude ouvir gemidos;
—Por favor...
A minha prima estava implorando, lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto.
Entrei no banheiro furiosa, pronta para atacar, mas a cena foi tão impactante que não consegui reagir rápido.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...