Vanessa Bragança
Não me movimento. Adrian segurava minha prima pelo pescoço; ela se debatia, os pés chutando, o rosto tomado por puro pânico, as mãos agarradas ao pulso dele, os gemidos dela implorando por sua vida.
O observo, admirada com a calma que ele mantinha no rosto.
Quando entrei, os olhos dos dois se voltaram para mim. Não pude deixar de sentir uma satisfação interna.
— Ela veio se oferecer. Eu não fiz nada, fêmea. Eu juro por Selene.
Um menino se justificando por quebrar um brinquedo. Foi o quê ele me lembrou.
— Certo... eu acredito em você.
Ele abriu a mão e minha prima caiu com um baque abafado no chão. As mãos foram imediatamente ao pescoço; ele a puxou, devolvendo-lhe o ar.
— Ele é louco!
— E você, uma puta — Carla gritou — Vi quando correu atrás dele.
Fui criada a vida inteira para não fazer escândalo, mas uma mulher das cavernas apoderou-se do meu corpo e, quando dei por mim, já estava arrastando minha prima pelo cabelo para fora. Um tufo do aplique loiro ficou na minha mão; esfreguei-o nas outras para desgrudar dos dedos.
As pessoas ao redor da piscina me observavam curiosas; ninguém ousou dizer palavra.
— Continuem, pessoal. Só estou jogando o lixo fora.
— Você está tão louca quanto ele.
— Ele é meu homem. Se você ficar rondando por aqui de novo, acabou para você — ela me xingava, tentando ser a vítima da situação para o restante da família, não dei importância.— eu te excluo de todos os círculos de que faço parte.
Minha prima Ivaneide saiu em disparada, agarrando suas coisas. Todos disfarçaram, mas sei que amanhã estaremos debatendo tudo de novo no grupo da família.
— Quem é você? E o que fez com minha amiga? — Carla arfava, com uma lágrima escapando dos olhos de tanto rir. — Você sempre soube que ela dava em cima do Gabriel e nunca se importou. Sempre dizia que era melhor que ela.
Voltei meu olhar a Adrian. Ele estava encostado na parede, braços cruzados e expressão tranquila.
— Agora me importo.
Meus pensamentos se agitam. Sempre achei Ivaneide fútil e mimada, mas será ela também uma assassina?
**Aquiles
Liliane deu um largo sorriso, e eu prendi o ar, esperando a resposta.
— Bem... eu não saio muito. Estamos em época de aulas e só assisto séries em casa até as férias.
— Uma série? Está ótimo.
Falo rápido, apreensivo, deixando espaço para uma negativa dela. Mas torcendo que não me desse uma desculpa.
Ela não nega; explica onde fica sua casa. Combinamos que eu chegaria às sete.
Fico observando-a entrar na escola: tão delicada, magrinha, com o bumbum arrebitado.
Sinto um frio na barriga. Desconfio que não vou me concentrar em nada até a noite chegar.
— Já entendi.
Após o almoço esperei penosamente, como se o relógio tivesse quebrado, até a hora combinada. Tomei um bom banho e quase voei até a casa dela.
Não resisti e bati alguns minutos antes do combinado.
— Oi, entra. Estou fritando nossos aperitivos, vem.
Liliane me guiou até a cozinha. A casa era pequena e confortável, com decoração de coisas fofinhas.
Ela havia colocado em uma bandeja tiras de frango empanado e batata frita. Agora colocava na frigideira pequenos pedaços de carne no óleo, que cheiravam divinamente.
— Você cozinha?
— Claro que cozinho — ela revirou os olhos — eu sou uma fêmea; que fêmea não sabe cozinhar?
— Nem minha mãe nem minha irmã cozinham. Minha mãe não tinha tempo para isso e também não ensinou.
— Oh, desculpe. Na minha família todas as fêmeas cozinham — ela diz, orgulhosa, pegando um pedaço de frango empanado e me oferecendo para provar. — Tempero secreto da minha família.
Dei uma mordida. O olhar de expectativa dela e tão inocente, e brilhante.
— Hum... muito bom.
Ela sorriu pela aprovação.
O olhar dela passou pela minha boca rapidamente; vacilou por um instante. Será mesmo que eu vou conseguir mantê-la casta por três meses?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...