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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 155

Vanessa Bragança

Um grupo de amigos e familiares nos recepcionou, mas eu já não os via como antes. Infelizmente, Gabriel Santos havia me roubado a confiança; eu desconfiava de cada rosto que antes me trazia conforto.

Percebi o desdém quando olharam para a roupa que eu usava. Subi e coloquei uma saia lápis até o joelho, azul-marinho, e uma blusa de seda vermelha, com gola alta e mangas até o pulso — botões dourados delicados completavam o look. Essa era a Vanessa que eles conheciam, e não sei se ainda quero ser essa pessoa. Uma maquiagem leve e um salto fino de marca famosa completavam a aparência sofisticada.

Meu tio, irmão do meu pai, me cumprimentou:

— Sinto muito pelo que aconteceu, Vanessa. Vocês eram um casal muito bonito.

Ele parecia realmente preocupado. Em outro momento eu teria gostado daquele abraço.

— Obrigada, tio — respondi. Ainda não sei o que meu pai contou à família; mantive vigilância nas respostas.

Cumprimentei as amigas. Notei Temi me observando de longe; tentei apresentar-lhe algumas amigas de confiança, mas ela fingiu ir atrás do garçom — sinal claro de que não queria socializar. Respeitei.

Quando todos foram embora, já estava cansada. Deixei Artemísia confortável num quarto de hóspedes e fui para o meu.

Olhei o vestido no closet, esperando a dor pela perda de Gabriel Santos, mas ela não veio. Passei a mão pelo bordado delicado do véu e saí do closet sem coragem de estragar a peça pela qual tanto me esmerara; Gabriel Santos não merecia minha dedicação. Saí do quarto e mandei as empregadas retirar fotos e tudo que ele havia me dado — mandei que incendiassem ou, se quisessem, que levassem; eu não queria ver mais nada daquilo. Joguei na pilha as roupas que ele gostava que eu usasse, junto com o perfume importado do Dia dos Namorados. Nada daquilo me faria bem.

— Vanessa, o que fazemos com os presentes de casamento? — perguntou uma das empregadas.

Parei, pensativa. Seria de bom tom devolver, já que não haveria casamento, não é?

— Deixe onde estão por hoje — respondi.

Ela gostou da resposta; o semblante desanuviou.

— Está bem. Não vá para longe; quero ficar próxima para te proteger, se for preciso.

Olhei para Artemísia sem querer; ela não é muito maior que eu — eu tenho 1,63 m; ela talvez 1,70 m.

— O quê? Está duvidando da minha competência? — ela perguntou, em tom de troça.

Dei um sorriso envergonhado por ter sido pega no pulo.

— Eu não disse nada — falei com cara de inocente, levantando as mãos, como se me rendesse. Não consegui conter o riso que subiu pela garganta, para desgosto dela.

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