Vanessa
Pulei e gritei de susto; imediatamente puxei o lençol e me cobri. O homem colocou as mãos na cintura, ladeou a cabeça e franziu a testa. Seus olhos, de um azul profundo, e os cabelos platinados trançados lembravam um viking selvagem da minha série favorita.
— Quarto errado — falei, desejando que um buraco se abrisse e me engolisse.
— Imaginei — respondeu, a voz rouca e tranquila contrastando com a minha figura enrolada no lençol. Tentei vestir o roupão às pressas, só para abrir a porta e dar de cara com Adrian, que a abria do outro lado; seu olhar me fuzilou de cima a baixo enquanto minhas mãos ainda tentavam, nervosas, fazer o laço.
— Maldito Aquiles, eu vou te matar.
— Eu não fiz nada; ela que entrou aqui embrulhada para presente! — ele disse, piscando um olho malicioso em minha direção — E que presente.
— Cala essa boca. Você deveria ter virado as costas e não conferido as curvas da minha companheira.
Num segundo, eles estavam do meu lado; no outro, eram borrões que apareciam e desapareciam ao redor do quarto.
Artemísia chegou correndo e parou ao meu lado, encostando-me perto dela, tentando me proteger de algum golpe.
— Parem com isso — ela tentou controlar a briga — Vocês não são mais crianças! Parem!
Ouvi uns dois ou três barulhos ocos. Artemísia tentou alcançá-los correndo pelo quarto; no desespero para acalmar a situação, tomei uma decisão inusitada: abri o roupão e deixei-o cair, para total espanto de Artemísia
— Adriiiian... — falei, num tom doce e arrastado, balançando o corpo e esboçando um sorrisinho, provocante.
Eles pararam como estátuas. Nem cheguei a terminar a frase quando meus pés saíram do chão e, num piscar de olhos, eu estava na cama dele.
— O que você estava fazendo, sua espertinha? — ele perguntou, brincando com o laço de cetim da calcinha; os olhos escureceram.
Só descemos no horário do almoço. Agora eu me arrependia de ter comprado só roupas sensuais: iria ao meu primeiro almoço com a família dele parecendo uma dançarina de funk carioca — um short jeans desfiado e um top cropped branco. Olhei-me no espelho: minha pele, branca, estava marcada por pequenas manchas vermelhas feitas por Adrian.
Desci para almoçar. Todos estavam à mesa.
Adrian ocupava a cabeceira; Artemísia e eu, de um lado; Aquiles, do outro.
— Olá, Vanessa.
Os olhos de Artemísia brilhavam de tanto rir.
— O que houve? — perguntei, curiosa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...