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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 153

Vanessa

Pulei e gritei de susto; imediatamente puxei o lençol e me cobri. O homem colocou as mãos na cintura, ladeou a cabeça e franziu a testa. Seus olhos, de um azul profundo, e os cabelos platinados trançados lembravam um viking selvagem da minha série favorita.

— Quarto errado — falei, desejando que um buraco se abrisse e me engolisse.

— Imaginei — respondeu, a voz rouca e tranquila contrastando com a minha figura enrolada no lençol. Tentei vestir o roupão às pressas, só para abrir a porta e dar de cara com Adrian, que a abria do outro lado; seu olhar me fuzilou de cima a baixo enquanto minhas mãos ainda tentavam, nervosas, fazer o laço.

— Maldito Aquiles, eu vou te matar.

— Eu não fiz nada; ela que entrou aqui embrulhada para presente! — ele disse, piscando um olho malicioso em minha direção — E que presente.

— Cala essa boca. Você deveria ter virado as costas e não conferido as curvas da minha companheira.

Num segundo, eles estavam do meu lado; no outro, eram borrões que apareciam e desapareciam ao redor do quarto.

Artemísia chegou correndo e parou ao meu lado, encostando-me perto dela, tentando me proteger de algum golpe.

— Parem com isso — ela tentou controlar a briga — Vocês não são mais crianças! Parem!

Ouvi uns dois ou três barulhos ocos. Artemísia tentou alcançá-los correndo pelo quarto; no desespero para acalmar a situação, tomei uma decisão inusitada: abri o roupão e deixei-o cair, para total espanto de Artemísia

— Adriiiian... — falei, num tom doce e arrastado, balançando o corpo e esboçando um sorrisinho, provocante.

Eles pararam como estátuas. Nem cheguei a terminar a frase quando meus pés saíram do chão e, num piscar de olhos, eu estava na cama dele.

— O que você estava fazendo, sua espertinha? — ele perguntou, brincando com o laço de cetim da calcinha; os olhos escureceram.

Só descemos no horário do almoço. Agora eu me arrependia de ter comprado só roupas sensuais: iria ao meu primeiro almoço com a família dele parecendo uma dançarina de funk carioca — um short jeans desfiado e um top cropped branco. Olhei-me no espelho: minha pele, branca, estava marcada por pequenas manchas vermelhas feitas por Adrian.

Desci para almoçar. Todos estavam à mesa.

Adrian ocupava a cabeceira; Artemísia e eu, de um lado; Aquiles, do outro.

— Olá, Vanessa.

Os olhos de Artemísia brilhavam de tanto rir.

— O que houve? — perguntei, curiosa.

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