Adrian
— Não, você não vai.
— Você não tem coração? E se fosse um familiar seu? Já falei que sou grata por me salvar, mas não pode me prender para sempre, Adrian.
— Posso.
— Adrian, podemos ir juntos e garantir a segurança dela.
Os olhos de Vanessa se acenderam com esperança.
— Isso! Pode ser meu chefe, amigo, segurança…
— Temi, não dê ideias a ela.
— Você não pode tirar o direito de escolha dela, Adrian.
— Isso não é sobre você, Artemísia — me exaltei.
Ela levantou as mãos em rendição.
— Foi só uma ideia.— Artemísia se defendeu. Sem nenhum traço de arrependimento.
— E foi uma ótima ideia. Adrian, você estará comigo. Vai me vigiar para que eu não conte o seu segredo, e eu sei que é forte e perspicaz o suficiente para me proteger.
Posso sentir as engrenagens girando na cabeça de Vanessa.
— Há dois minutos eu era um sarnento cheio de pulgas.
Desdenhei do rosto de pedinte dela.
— Por favor, Adrian…
Merda. Com esse olhar, ela provavelmente poderia pedir a minha pele, e eu a daria de bom grado.
— Você está completamente dominado, irmãozinho — Temi se diverte pelo nosso elo mental.
Artemísia vai pagar por me colocar nessa posição diante da minha companheira.
— Está bem.
Saio do escritório imaginando como tirar aquele sorrisinho de triunfo do rosto da minha irmã. E já sei o jeito perfeito.
Vanessa Bragança
Ao ver Adrian com os olhos escuros, calmos e decididos, desisti de brigar e apelei para o sentimento. Parece que funcionou muito melhor.
Ainda assim, naquele momento, eu me sentia como um rato de laboratório. A mulher me observava com a cabeça levemente inclinada e a testa franzida.
—Esperei anos para ver alguém bater no Adrian. Ele é o mais mimado da casa.— Jesus, eu criei a nova piada da família
— Você não se parece nada com ele fisicamente.— me defendi, Artemísia é uma loira platinada, com olhos de um azul profundo, quase hipnotizantes.
— Vou comer e dormir um pouco. Foi um prazer te conhecer, Vanessa.
Ela foi em direção a cozinha.
Quando Artemísia subiu, decidi colocar minha ideia em prática. Na verdade, eu vinha desenvolvendo uma síndrome de Estocolmo severa: sentia uma necessidade quase obsessiva de fazer as pazes com Adrian. Avistei a empregada passando em seus afazeres com uma pilha de Lençóis nas mãos.
— Vera, qual é o quarto do Adrian?
Ela me olhou com um sorrisinho de canto, já ciente do que acontecia entre nós.
— O último, no andar acima do seu.
Voltei ao meu quarto, tomei um banho rápido e escolhi uma lingerie diferente. Naquele dia, eu havia comprado apenas peças extravagantes, querendo chocar — e por que não usar?
A calcinha rosa-clara era um fio-dental com um laço grande na parte da frente, que se desfazia ao ser puxado. O sutiã era apenas renda, com aro e pequenos laços de cetim cobrindo cada seio, feitos para se soltarem com um simples movimento.
Vesti um roupão por cima e segui para o quarto de Adrian.
No final do corredor, havia duas portas: uma à direita e outra à esquerda. Ouvi barulho do lado esquerdo e como a irmã dele está na cozinha, julgo que essa é a dele. Abri devagarinho na ponta dos pés.
O chuveiro estava ligado. Aproveitei para tirar o roupão e me deitei na cama em uma pose ensaiadamente sensual, com um braço sob a cabeça e o outro ao longo do corpo. Como se eu não estivesse ansiosa, como se meu coração não estivesse prestes a saltar pela boca.
Então, o maior homem que eu já tinha visto na vida saiu do banheiro.
Então, o maior homem que eu já tinha visto na vida saiu do banheiro… e seus olhos me congelaram no lugar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...