Adrian
“Não somos íntimos para dormir juntos.”
Eu estava deitado, com os braços atrás da cabeça, encarando o teto havia três horas seguidas, sem conseguir dormir, tentando entender que diabos ela quis dizer com aquilo.
Eu estive dentro dela.
Se isso não é íntimo o suficiente para Vanessa, então o que seria?
Se ela fosse uma loba, provavelmente já estaria grávida.
Tenho uma reunião com os anciãos amanhã, e não consigo pensar em absolutamente nada no momento. Uma dor de cabeça irritante persiste desde que me afastei dela. Eu deveria estar me conectando à minha companheira agora, mas a ligação entre nós vaga sem destino, me deixando dolorido pela rejeição de Vanessa.
Pego o celular no móvel ao lado da cama e disco para Aquiles.
— Espero que esteja pegando fogo no Norte para você atrapalhar meu sono.
— Se fosse isso, eu dava conta. — ele resmunga. — Preciso me afastar por uns dias… eu encontrei minha companheira.
— Uau! Que notícia, cara! Quem é ela?
— Ela é uma humana… — explico como conheci minha companheira e as suspeitas levantadas por Ajax.
— Amanhã pela manhã estarei aí, então. — ele ri. — Pra você ter sua lua de mel.
Desligo o celular e o coloco de volta no lugar. Mal fecho os olhos e ele toca novamente. Dessa vez é Temi, com novidades. Logo vou desvendar o que realmente está acontecendo na família da Vanessa.
Mal o dia havia amanhecido quando Temi me chama pelo nosso elo mental. Como esperado, ela começou a encontrar o rastro do que realmente aconteceu. Temi me dá um abraço e, quando ouvimos um suave barulho, ambos sabemos de quem se trata. Corro atrás dela.
Alcanço Vanessa no meio do corredor, seguindo em direção ao quarto. Sua postura está rígida. Seguro seu pulso e a viro para mim.
— Me solte.
— Deixa eu explicar…
Ela se vira abruptamente e sai andando enquanto fala:
— Você não me deve explicação. Como eu disse, não somos íntimos.
Paro diante de um móvel repleto de fotografias da minha família: eu e meus irmãos na infância, adolescência e atualmente.
— Ela é minha irmã.
Vanessa fica completamente estática.
Então ouvimos alguém tentando segurar o riso… e falhando miseravelmente.
— Sarnento? Cheio de pulgas? — Temi debocha, arqueando uma sobrancelha.— E ela nem te viu na fase em que você fugia do banho.
Solto Vanessa, que agora fica violentamente vermelha.
Ignoro sua vergonha por enquanto e a conduzo até o escritório, onde Temi nos mostra as transações que provam que a mãe dela não morreu por causas naturais.
— Eu não acredito nisso… — Vanessa exclama, aflita. — Minha mãe era a pessoa mais doce que eu já conheci. Por quê?
Ela respira fundo, os olhos marejados.
— Eu preciso voltar. Preciso cuidar do meu pai. — Sua voz treme, mas há determinação. — Preciso saber quem foi. E quando eu descobrir… vou me vingar por ela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...