Diante de alguém como Abel, que não significava nada para ela e poderia ser descartado a qualquer momento, ela ainda o mantinha por perto. Mas com Finn, mesmo quando lhe dava apenas um aviso particular, cada gesto, cada olhar era carregado de rejeição.
O semblante de Finn tornou-se sombrio novamente. Mas então, por um instante, ele pensou que talvez, comparado a Abel, fosse ele quem realmente a atraía. Era só que todas aquelas mágoas do passado faziam com que ela não quisesse aceitá-lo agora.
Finn cerrou o punho.
Não importava quantas pessoas estivessem ao redor dela, ele poderia fazer com que todas se afastassem, uma a uma.
No fim, ela acabaria voltando para ele.
Afinal, ainda tinham uma filha adorável juntos.
Finn se encorajou em silêncio. Com esse pensamento, dirigiu direto para a Residência Shaw.
Miranda não pareceu surpresa. Simplesmente presumiu que ele estava se abrigando da chuva e mandou alguém levá-lo até a mansão.
— Onde está o Abel?
Assim que entrou, Finn perguntou sem rodeios.
Ao ouvir o nome de Abel, Miranda levou os dedos à testa, claramente irritada e relutante em responder.
Foi Demi quem apontou para o andar de cima. — Trancou-se no quarto.
— Vou lá ver.
Depois de confirmar em qual quarto Abel estava, Finn subiu a escada em espiral com passos largos.
Toc, toc!
Ele bateu na porta.
Silêncio. Nenhuma resposta.
Finn franziu a testa, imaginando se teria se confundido de quarto, mas bateu novamente. Dessa vez, ouviu-se um movimento lá dentro, confirmando que Abel realmente estava ali.
— O que mais você quer? Já não fez o suficiente?
A voz de Abel explodiu do outro lado, como um trovão.
Finn manteve a calma. — Sou eu.
Tudo ficou em silêncio por um segundo. No instante seguinte, a porta foi aberta com força.
— O que você está fazendo aqui?
Mesmo já tendo reconhecido a voz e só abrindo a porta por isso, no momento em que viu Finn pessoalmente, as pupilas de Abel se contraíram.
Finn observou a expressão ferida de Abel. Seu próprio rosto se fechou, voltando imediatamente ao frio e imponente "Sr. Finn" que todos temiam.
Abel continuou pressionando.
Finn o encarou, sua presença pesada, como se risse silenciosamente da ingenuidade de Abel.
— Sua família não vai te dar uma vida fácil. Toda essa pressão vai recair sobre quem estiver ao seu lado. Você acha mesmo que alguém como a Tess vai te seguir só porque eu movi alguns fios nos bastidores?
A estrutura alta de Abel vacilou. Ele quase não conseguiu se manter de pé.
Finn observou, divertido. Estendeu a mão e deu um leve tapa no rosto de Abel. — Quer forçar a vida sufocante que você teve sobre ela também? E Layla? E minha filha com ela?
Ele enfatizou o "minha" de propósito—um aviso, uma ameaça e uma provocação ao mesmo tempo.
Abel quase enlouqueceu.
Claro que ele sabia por que Tess hesitava. Sabia o quanto a vida dela tinha sido difícil, então cada momento de paz agora era precioso.
Sempre foi impulsivo, então se ela correspondesse, a vida dela voltaria a ser um pesadelo.
A dor passou pelos olhos de Abel, seguida de um silêncio absoluto.
Finn o observou morder o lábio sem dizer nada. Um lampejo de triunfo cruzou seu olhar, mas desapareceu num piscar de olhos.
Abel, perdido em pensamentos, não percebeu nada.

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