Ele rapidamente mudou de assunto, engolindo o amargor no peito.
“Tio Jackson, lembra daquele cara chamado Nicholas? Onde ele está agora na Zona B?”
“Para que você quer saber disso?”
“Ah, qual é! É só uma pergunta. Esqueceu como prometeu à minha mãe que cuidaria de mim?”
“Cuidar de você? O dia inteiro você fica pedindo isso e aquilo, o que acha que eu sou, uma máquina de desejos?” A voz do outro lado pertencia a um homem de meia-idade, rude e cheio de irritação.
Duncan encolheu o pescoço, lançando um olhar nervoso para Steven.
Quando viu a sobrancelha dele se contrair e os olhos dele deslizarem para a parte de trás do seu lado esquerdo, ele estremeceu no mesmo lugar.
“Tio Jackson!”, gritou, em pânico.
“Tá bom! Venha até o meu escritório na Zona B”, Jackson finalmente disse, soando derrotado.
A tensão desapareceu do rosto de Duncan quando ele soltou um longo suspiro de alívio.
Olhou para Steven com um sorriso esperançoso. “Hehe, funcionou, certo? Posso ir agora?”
Pela primeira vez, a expressão de Steven suavizou. Um leve sorriso torto puxou o canto de seus lábios.
O coração de Duncan saltou de alegria e logo despencou.
“Sou novo aqui”, Steven disse, calmamente. “Não sei onde fica esse escritório. Me leve até lá.”
O sorriso de Duncan se desfez. Ele estava prestes a chorar quando Steven o agarrou pelo colarinho e começou a arrastá-lo para dentro.
A Zona B era a área mais movimentada de toda a fábrica. Pessoas iam e vinham sem parar, como um rio de trabalhadores que nunca terminava.
Duncan e Steven escolheram de propósito o caminho mais cheio, misturando-se ao fluxo. Ninguém prestou atenção nos dois... Eles pareciam tão comuns e normais quanto qualquer outro.
Na verdade, Duncan era conhecido no local. Mas Steven mantinha uma mão firmemente pressionada na nuca dele, obrigando-o a manter a cabeça baixa.
Movendo-se de forma suspeita, eles finalmente chegaram ao escritório que Jackson havia mencionado.
“Entre.”
Steven abriu a porta e entrou. No momento em que entrou, ele a trancou.
Jackson, que estava sentado à mesa, fumando um cigarro, congelou. Ele levantou os olhos e viu um rosto frio e desconhecido olhando diretamente para ele.
Um mau pressentimento apertou seu estômago.
“Quem é você?”, exigiu.
Então percebeu que a mão de Steven estava tampando o nariz do sobrinho.
“Duncan!”, Jackson gritou, levantando-se tão rápido que a cadeira bateu na parede com um estrondo alto.
Ele levantou o olhar, encontrou os olhos assustados de Duncan e afrouxou o aperto.
No momento em que o aperto em seu pescoço afrouxou, os olhos dele se arregalaram. Ele correu até Jackson, chorando enquanto se agarrava ao braço dele.
“Tio, me salva! Ele invadiu o quarto que você me deu, meu dormitório individual, e me bateu! Olha minha bunda!”
Antes que alguém pudesse impedi-lo, ele começou a abaixar as calças para mostrar a prova. A sobrancelha de Jackson se contraiu de horror. Ele afastou Duncan com um empurrão.
“Chega, seu inútil vergonhoso!”
Ele esfregou a testa com frustração, completamente sem palavras. Então, forçando um sorriso educado, levantou-se e serviu uma xícara de chá para Steven.
“Não tenho certeza do que o traz aqui”, Jackson disse, com cuidado: “Mas certamente não veio até aqui só para perguntar sobre Nicholas?”
A voz calma de Steven carregava uma autoridade inconfundível.
“Isso não é algo que eu possa revelar. Mas, quanto ao Nicholas, conte-me tudo o que sabe.”
O tom de Steven não deixava espaço para discussão.
Jackson encarou o homem à sua frente... Calmo, controlado e de olhar penetrante. Havia algo naquele rosto, uma autoridade silenciosa que o deixava tenso sem que ele percebesse. Seu olhar deslizou para a porta trancada.
Afinal, ele não era apenas mais um trabalhador. Era supervisor naquela fábrica, alguém com acesso a informações confidenciais. Não podia simplesmente contar tudo a um estranho, por mais intimidador que fosse.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Grávida e presa, ela voltou para se vingar