Na manhã seguinte.
Depois de bater algumas vezes sem obter resposta, Raven invadiu o sistema do hotel e destrancou a porta ela mesma.
Assim que entrou, o forte cheiro de álcool atingiu seu nariz.
Ela acenou com a mão diante do rosto para afastar o odor e caminhou mais para dentro.
Encontrou Lachlan estirado no chão.
Raven franziu a testa. Seus olhos percorreram a garrafa vazia ao lado do pé dele e a poça de bebida derramada. Ela pressionou a mão na testa, frustrada.
Então se agachou ao lado dele. Deu três tapas fortes em seu rosto.
Lachlan acordou atordoado, piscando para o rosto furioso dela.
“Quer morrer? Então vá beber até morrer na sua própria casa!”, Raven retrucou, dando mais um tapa.
Esse último finalmente o deixou sóbrio.
A ardência queimou em sua bochecha quando ele virou o rosto, mal conseguindo desviar do próximo golpe dela.
“Raven!”, ele gritou, com raiva.
Mas ela não parou. Sua mão veio novamente, rápida e certeira.
Meio bêbado e meio acordado, Lachlan cambaleou para ficar de pé, tropeçou e caiu de novo.
Seu joelho bateu forte contra o chão com um estalo seco.
Só então Raven fez uma pausa. Ela olhou para ele de cima, um sorriso zombeteiro puxando seus lábios.
“Achei que estivesse fingindo ser inocente por tempo demais”, disse, friamente. “Talvez tenha até esquecido como se defender.”
Seus olhos se estreitaram.
Raven conhecia Lachlan desde que eram crianças. Ela era aluna de Wentworth e tinha sido enviada para o exterior para estudar música ainda jovem.
Ao longo dos anos, passou tanto tempo sob o mesmo teto que Lachlan que praticamente cresceram juntos.
Mas ela sabia melhor do que ninguém... Aquele cara não era tão quieto e obediente quanto fingia ser perto de Tess.
Agora, parado diante dela, Lachlan não parecia em nada com o elegante pianista que o mundo admirava. Sua respiração estava pesada e irregular, e seu cabelo era um completo emaranhado. Qualquer um se perguntaria o quanto ele tinha se desfeito na noite anterior.
“Você não entende”, ele murmurou, friamente, a voz baixa e rouca.
Um frio o envolvia, agudo e pesado.
Raven cruzou os braços e se sentou na cama dele sem pedir.
Lachlan lançou-lhe um olhar sério, mas foi ignorado.
“Esqueça a Tess”, disse ela, de forma direta.
O calor em seus olhos desapareceu e, pela primeira vez, seu habitual ar brincalhão sumiu.
Lachlan ergueu a cabeça, o olhar afiado como uma lâmina. “Você não pode me impedir.”
“Só estou te dando um choque de realidade”, disse Raven, abrindo as mãos.
Então seu tom ficou sério.
“Está ressentido, entendo. Ouviu aquelas coisas que seu avô disse quando era criança e se convenceu de que ela era sua noiva. Aposto que ela nem sabe disso.”
Lachlan congelou.
Passado da Tess?
Ele queria chorar.
Se soubesse que tipo de cara Steven era, teria fugido no primeiro dia em que se conheceram. Essa decisão sábia teria poupado toda aquela dor.
“Tenho certeza, tenho certeza!”, Duncan murmurou, no momento em que Steven afrouxou o aperto. “Meu tio Jackson é o capataz aqui. Aquele cara, hum, Nicholas! Ele foi mandado para cá pessoalmente por alguém de cima, então me lembro dele.”
Ele forçou um sorriso fraco, mas sua mão direita, escondida atrás das costas, esfregava discretamente o traseiro dolorido.
Seus olhos não conseguiram evitar descer até as pernas de Steven.
Como alguém tão magro podia chutar tão forte?
Ele puxou o ar em silêncio, fazendo uma careta ao lembrar.
Steven finalmente soltou sua gola e estreitou os olhos, observando a área além do portão.
Seu olhar varreu o lugar repetidas vezes, mas Nicholas não estava em lugar nenhum.
Sem aviso, ele estendeu a mão e agarrou a gola de Duncan outra vez.
“Traga seu tio aqui”, ordenou, friamente. “Ou ligue para ele. Pergunte onde Nicholas está...”
Seu rosto permaneceu tenso, completamente imóvel, sem emoção, sem movimento. Ainda assim, de alguma forma, aquela calma enviou um arrepio direto pela espinha de Duncan.
E, como se fosse automático, o traseiro dele começou a doer de novo, como se seu corpo lembrasse do último chute.
“Tá bom...”, ele murmurou, procurando o celular às pressas.
Ligou imediatamente para o número do tio, engolindo a frustração que queimava em sua garganta.
Antes mesmo de pensar em reclamar, percebeu o homem à sua frente observando... Seus olhos frios e afiados fixos diretamente nele.

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