Shannon ficou imóvel, ouvindo o sinal de linha encerrada ecoar, seu rosto foi tomado pela raiva.
Ele desligou assim tão rápido? Só porque voltou a ficar com a Kylie?
Ou talvez nunca tivesse a intenção de ficar aqui comigo. Antes, só vinha porque Kylie o tinha expulsado de casa!
Os pensamentos começaram a sair do controle, um alimentando o outro, até o peito dela subir e descer com força.
Bang!
De repente, ela explodiu, pegou o prato de frutas da mesa de centro e o arremessou no chão com um estrondo.
Tania saiu da cozinha com o esfregão na mão, assustada.
“Senhora... Ficar nervosa não faz bem para o bebê!”
Ela se aproximou com cuidado, mas Shannon lançou um olhar cortante. “Então por que está parada aí? Limpe isso! Ou quer me irritar ainda mais?”
Tania se encolheu com o grito. Ela teve vontade de retrucar, mas Shannon era sua chefe. Mordeu o lábio, engoliu a frustração e se abaixou em silêncio para limpar a bagunça.
A mulher bufou furiosa e entrou no quarto, batendo a porta com tanta força que ela chegou a tremer.
O barulho assustou o filho, Kaleb, que colocou a cabeça para fora do quarto. Ele viu Tania agachada no chão, recolhendo os pedaços de fruta e porcelana quebrada.
Revirou os olhos e zombou. “Caipira idi*ta. Só sabe deixar a mamãe brava.”
O maxilar de Tania se contraiu.
Ela manteve a cabeça baixa, escondendo o rosto atrás da franja, mas apertou o cabo do esfregão com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. O ressentimento em seus olhos era impossível de esconder.
Kaleb voltou para o quarto com pose de pequeno príncipe, e Tania terminou de limpar rapidamente antes de sair correndo daquele apartamento sufocante.
Assim que a porta se fechou atrás dela, Tania se virou e encarou o número do apartamento, com olhos frios.
Ela os odiava.
Para eles, ela não passava de uma empregada. Alguém para mandar e humilhar, tratada como se não fosse gente. Nem o mínimo de dignidade lhe restava.
“Ei, faz tempo que não vemos a Nadine.”
A voz repentina de uma mulher idosa interrompeu seus pensamentos.
Tania ficou tensa e abaixou a cabeça na hora, fingindo que só tinha saído para jogar o lixo.
“Não é o apartamento da Nadine? Não reconheci a moça que acabou de sair.”
“Pois é, estranho. Será que aconteceu alguma coisa? Devíamos dar uma olhada.”
...
Essa garota está arruinada.
Isso pareceu satisfazê-la um pouco, mas não totalmente. Mesmo assim, ela avançou e pisou no pé dele.
“Ótimo. Então estou te dando uma ordem.”
“Mande aquele garoto dos Shaw descobrir em qual quarto aquela adotada está internada no Hospital Primal. Já que ela é filha adotiva da Kylie, acho justo fazer uma visitinha.”
Os olhos dela brilharam com malícia enquanto esfregava o queixo.
Benjamin suou frio na hora. A esposa não estava brincando.
“Não”, respondeu rápido, se endireitando. “Não estamos mais em Kingsland. Você não pode sair fazendo o que quer.”
Olivia bufou. “Por favor. Este lugar não chega nem perto de Kingsland. Lá ninguém tinha coragem de mexer comigo, por que eu teria medo aqui? Além disso”, acrescentou, pensativa: “Ouvi dizer que os Shaw conhecem um figurão daqui, o homem mais rico de Aetheris... Como é mesmo o nome? Fred? Flint? Algo assim.”
Benjamin piscou, atônito.
Então ela já está se informando. É claro que essa história de defender a honra da Tess vem sendo planejada há algum tempo.
Mesmo assim, ele franziu a testa e se manteve firme. “Isso é imprudente, Olivia. Você não vai.”
A idosa cruzou os braços e bufou. “Sabia que você diria isso. Esquece. Vou falar com a Violet.”
Ela se virou em direção à porta, e Benjamin mal teve tempo de reagir antes que sua filha entrasse.

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