Abel sentiu uma fisgada forte se retorcer no estômago. No instante em que ouviu a pergunta de Tess, levantou a cabeça rapidamente e forçou um sorriso natural. “Estou bem. Acho que só quis saborear minha própria comida por mais um tempo.”
Tess lançou um olhar para ele, parando por um breve momento no sorriso forçado. Como ele não demonstrou nenhum desconforto evidente, ela acabou desviando os olhos. “Então coma com calma.”
Com isso, se levantou e seguiu em direção ao escritório.
Antes de sair, ainda olhou para os pratos sobre a mesa. “A comida está muito boa.”
Abel congelou por um segundo e ergueu o olhar, mas Tess já estava se afastando.
As palavras ficaram ecoando em sua cabeça, antes que percebesse, estava sorrindo.
Mas logo em seguida, outra dor aguda atravessou seu estômago.
Ele empurrou o prato para longe. “Bessie, pode recolher isso? Já terminei.”
Sem esperar resposta, se levantou e saiu apressado.
Bessie piscou, confusa com a saída repentina dele. “Acho que ele esqueceu o sal”, murmurou para si mesma.
O jantar terminou em silêncio e, a essa altura, o céu do lado de fora já estava tomado por nuvens suaves do entardecer.
Tess ficou no escritório por uma hora antes de sair. A mesa de jantar já estava impecavelmente limpa por Bessie.
“Onde o Abel está?”, perguntou, franzindo a testa.
Ela estava tentando ler a pasta que Zane havia lhe entregado, mas não importava quanto tempo encarasse as páginas, não conseguia se concentrar.
Seus olhos sempre acabavam presos na pontuação e, sem perceber, a imagem do sorriso presunçoso de Abel e daqueles olhos provocadores surgiam em sua mente.
Depois de se obrigar a ficar sentada por uma hora, desistiu e saiu do escritório, apenas para perceber que Abel não estava em lugar nenhum.
Bessie ainda passava o pano no chão. Ao ouvir a pergunta, levantou a cabeça. “Ele saiu logo depois que você entrou no escritório.”
Tess parou por um instante e concordou de leve. “Entendi.”
Mesmo assim, não conseguiu se livrar da distração, então foi até o berço para ver Layla.
...
Na residência dos Embers.
O silêncio dele do outro lado da linha fez a irritação de Shannon aumentar. “Fale alguma coisa! Você já mandou a Nadine resolver tudo com a imprensa por causa da Tess, não foi? Então ninguém está prestando atenção em nós agora. Qual é o problema de sair um pouco? Ou quer me manter presa nesse apartamento para sempre?”
Henry suspirou e esfregou a têmpora, claramente exausto. “Shannon, não é tão simples. Não é só a mídia que está observando. Tem outras pessoas com quem precisamos ter cuidado.”
“Não me importo!”, ela rebateu. “Já faz tanto tempo! Você até fez um funeral para mim. Quem sobrou para ter medo?”
A voz dela ficou mais aguda, colocando tudo na conta dos hormônios da gravidez, e seu jeito ficou ainda mais mimado.
Henry soltou o ar com força, sem paciência. “Tá bom. Em alguns dias eu volto e te levo pessoalmente ao hospital.”
Isso finalmente acalmou Shannon.
Ela mudou de posição e, de repente, se endireitou. “Ah, é mesmo. Ouvi dizer que a Nadine ainda está no hospital, bem machucada. Não posso ir vê-la, então pelo menos você devia ir. É o pai dela.”
Henry já não tinha mais paciência para a conversa. Concordou apenas para encerrar o assunto. “Tudo bem, vou passar lá.”
“Certo, é isso. Tenho coisas para resolver aqui. Vou desligar.”
Sem esperar a resposta de Shannon, Henry encerrou a ligação.

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