Kátia voltou para o quarto e recolheu as poucas fotos da filha.
Não havia muitas coisas, não enchiam nem uma mala.-
Entre as fotos espalhadas, havia uma que era a única foto da família de três pessoas.
Naquela época, Luna tinha acabado de nascer e Zacarias era pai de primeira vez.
Ao segurar Luna, o rosto sempre confiante dele mostrava um pouco de constrangimento. Ela estava deitada na cama do hospital, sorrindo de felicidade.
Maitê tirou essa foto com o celular.
Ela gostava muito dessa foto e a guardava com todo carinho. Agora, porém, havia uma marca de sapato sobre a imagem.
Kátia pegou uma tesoura e cortou o lado com o rosto de Zacarias.
A foto de família do futuro não precisava mais de um "pai" que existia apenas no nome.
Após arrumar o quarto da filha, Kátia chamou um carro por aplicativo e voltou ao hospital.
Luna estava internada na ala VIP do hospital, onde uma área inteira atendia apenas um paciente.
A ala era guardada por vários enfermeiros e médicos, que haviam assinado acordos de confidencialidade com a Família Valente e manteriam estritamente em segredo o casamento oculto entre Zacarias e Kátia.
Todos se levantaram rapidamente ao ver Kátia voltar. A jovem enfermeira secou as lágrimas e pediu desculpas: — Srta. Pacheco, eu realmente não registrei a informação de óbito da Srta. Valente de propósito...
A Família Valente era a verdadeira família número um de Porto Real, com negócios espalhados por todo o país.
Errar a informação de óbito de uma criança era, por um lado, de mau agouro e, por outro, um erro médico grave.
Se a Família Valente quisesse investigar, o hospital inteiro estaria arruinado.
Kátia bateu o atestado de óbito de Luna na mesa. — Vejam o que vocês fizeram!
A equipe médica estremeceu de susto e abaixou a cabeça.
Kátia ficou em silêncio e olhou lentamente para todos com uma expressão fria.
Em seguida, cruzou os braços e sentou-se no pequeno sofá. Com o queixo levemente erguido, sua voz estava cheia da pressão de alguém superior: — Falsificar informações de pacientes, amaldiçoar a morte da minha filha, usar informações falsas para assustar a minha família e perturbar as ações do Grupo Valente.
— Eu com certeza vou investigar isso até o fim. Preparem-se para receber a carta dos advogados.
O diretor do departamento limpou o suor da testa e se aproximou fazendo uma reverência: — Srta. Pacheco, isso foi uma negligência nossa. Estamos dispostos a dar qualquer compensação, só pedimos que tenha piedade e nos perdoe.
Kátia não disse nada, apenas passou o olhar pelas pessoas na sala.
O diretor entendeu e rapidamente pediu para que as pessoas não envolvidas saíssem, deixando apenas ele e Kátia no quarto.
— Srta. Pacheco, o que a senhora tem a dizer... pode falar agora.
Kátia sorriu friamente. — Ao saber da morte da Luna, a Família Valente já começou a preparar o funeral.
— Agora eu tenho que explicar para todos que foi um engano e que a Luna ainda está viva?
— Onde fica a reputação da Família Valente? Ou o senhor vai lá explicar que foi um erro de vocês?!
O diretor limpava o suor sem parar, ansioso: — Então como a Srta. Pacheco quer resolver isso?
Kátia o olhou com frieza: — Os convites para o funeral da Família Valente já tinham sido enviados. Naquele momento, só restava manter a farsa.
A pálpebra do diretor tremeu.

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