Lydia observava as mãos de Nancy voarem sobre os controles, mas logo desviou o olhar de volta para Helen.
Uma onda de pavor subiu-lhe ao peito.
Cravou as unhas nas palmas, os joelhos ameaçando ceder.
Não. Não. Não pode ser.
Helen só podia estar blefando!
Não havia chance de Helen realmente ter provas!
Ela não podia perder o controle agora...
Lydia obrigou-se a respirar, tentando acalmar as batidas desenfreadas do coração.
A tela gigante piscou.
A imagem mudou para o que era claramente uma gravação de câmera de segurança.
O ângulo mostrava um depósito abarrotado de tralhas aleatórias.
Na visão noturna, uma figura feminina escorregou para dentro, furtiva e encurvada.
Usando a lanterna do celular, vasculhava o cômodo, murmurando para si mesma: "Os Morgans parecem tão ricos—deve ter coisa cara largada aqui. Mesmo que sumam algumas, ninguém vai notar..."
Resmungava enquanto procurava, sem parar um instante.
Sempre que achava algum bibelô, enfiava direto no bolso.
Revirou o local assim por um bom tempo.
Então, tirou de uma caixa de papelão um maço de papéis aparentemente sem importância.
A princípio, a mulher na tela não deu muita atenção e já ia jogá-los de lado.
Mas no instante em que o facho do celular passou pelas páginas...
Suas mãos congelaram.
Ela as ergueu depressa, iluminando cada folha uma a uma.
A cada página, seu rosto se iluminava de êxtase.
Ao final, seus traços estavam distorcidos de puro deleite e cobiça escancarada.
Na gravação, a lanterna revelava claramente o que cobria aquelas folhas.
Eram todos rascunhos de design de joias.
A câmera captou apenas um relance.
Mas bastou para fazer cada especialista presente prender o fôlego.
Porque cada folha...
De onde saiu essa gravação?
Como diabos Helen conseguiu isso?
Aquilo era só um depósito empoeirado!
Por que alguém colocaria uma câmera ali?!
E Helen não tinha sido expulsa dos Morgans? Como poderia acessar as gravações?
"Srta. Morgan, tem mais alguma coisa a dizer?" Nancy pausou o vídeo, a voz fria e autoritária.
O rosto de Lydia estava branco como giz, o corpo inteiro tremendo—só a boca permanecia firme. "I-isso ainda não prova nada."
Ela encarava o quadro congelado de si mesma enfiando os rascunhos nos braços, os olhos brilhando de alegria.
Cerrando os dentes, argumentou: "Esses desenhos eram meus desde o início. Fiz eles quando voltei para os Morgans. Alguma empregada deve ter jogado no depósito. Procurei por eles por séculos e finalmente achei—qual o problema de ficar um pouco animada?"
"Heh." Nancy soltou uma risada curta e sarcástica, como se já esperasse por isso. "Sabia que você ia se debater até o fim."
Ela clicou o mouse e abriu outra pasta.
Três rascunhos digitalizados em alta resolução apareceram claramente na tela grande.
As datas nos arquivos eram evidentes—de seis anos atrás.
E aqueles três desenhos...
Eram quase idênticos ao conjunto de pingentes de nuvem que Lydia dera de presente para Stella em sua maioridade—a coleção que agora usava para divulgar a marca de Wendy, e a peça de rosa com espinhos que acabara de inscrever no concurso.
"Esses são três rascunhos originais que Queen desenhou na época," explicou Nancy, abrindo um histórico de mensagens. "Toda vez que ela terminava um desenho, escaneava e me mandava, e eu subia para a nuvem." Enquanto falava, exibiu o antigo chat com Helen e os comprovantes de cada envio.
Olhou diretamente para Lydia. "Srta. Morgan, os rascunhos que você roubou do depósito eram peças que minha mentora considerou 'descartadas', mas eu tenho todos os escaneamentos. As datas estão lá—claras como água."
O sorriso era gelado, o olhar sobre Lydia mais frio ainda. "Registros em nuvem não podem ser adulterados. Claro, se tiver dúvidas, posso entregar tudo às autoridades e deixar que decidam se minhas provas se sustentam em tribunal."

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