— A sua paranoia está piorando de novo. Tire um tempo para procurar um psiquiatra.
Após dizer isso, Neusa virou as costas e saiu do escritório.
Gustavo Neves recebeu duas mensagens consecutivas.
Depois de lê-las, ele largou o celular de lado e deu um gole no seu chá de canela.
Das sombras atrás dele, emergiu um homem de aparência comum.
— Se a ficha criminal de Guilherme for exposta, Ricardo Franco não pensará duas vezes antes de se livrar dele para proteger a própria pele. Assim, eliminamos um obstáculo e sobrará apenas Félix Leite. Vai ser moleza.
— Félix Leite, moleza?
Gustavo soltou um riso sarcástico.
— Acho que você não sabe diferenciar o curinga da carta menor. O alvo do Félix sempre foi o Ricardo. Guilherme não serve nem para amarrar a chuteira dele. Você realmente acha que a morte daquele seu amigo, o Hermínio Franco, nas mãos do Félix foi apenas um acidente infeliz?
O homem emudeceu, e seu rosto adquiriu um tom sombrio.
Gustavo levantou-se, ainda sem olhar para ele.
— Fique tranquilo. Não esqueci o nosso acordo. Desta vez... nem Guilherme, nem Félix sairão ilesos.
No dia seguinte a ter aterrorizado Luiza, Celina voltou ao Centro de Pesquisa e Inovação.
O tempo em que ficara desaparecida fez seu trabalho se acumular, e ela mergulhou nas tarefas assim que pisou no escritório.
Como de costume, Janaina trouxe o lanche da manhã preparado em casa especialmente para ela.
Logo nas primeiras mordidas, o celular vibrou com uma mensagem de Félix, exigindo que ela não se esquecesse de descansar, por mais atarefada que estivesse.
Celina sorriu e digitou uma resposta curta:
"Tá bom, já entendi."
O retorno dele foi imediato:
"Faltou o pronome de tratamento, não achou?"
Celina piscou, e então se lembrou de que, nos últimos dias, com a relação deles em plena harmonia, Félix insistia teimosamente para que ela o chamasse de marido.
E ali estava ele, cobrando isso até numa simples mensagem de texto.
Comendo um pedaço do seu lanche e balançando a cabeça com um sorriso resignado, ela acrescentou:
"Tá bom, Félix, meu amor."

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