— Uma coisa tão importante e você só me conta agora?
Félix pegou o celular apressadamente e enviou uma mensagem. Pouco depois, obteve resposta.
Ele passou os olhos rapidamente, e a tensão em seus ombros relaxou um pouco.
— Foi uma mistura caseira de raízes feita por curandeiros locais, não deve haver grandes problemas. Dona Odete já foi presa, suspeita de matar duas pessoas sob tortura. Dessa ela não escapa.
Ele estendeu a mão, apertando levemente a ponta do nariz dela.
— Que história é essa de casar de novo? Nesta vida, e no resto dela, a única pessoa que será minha esposa é você.
Celina esfregou a testa no peito dele.
— Eu tive tanto medo naquela hora... Medo de nunca mais te ver, medo de ficar enterrada naquele lugar sem ninguém saber.
O coração de Félix se apertou. Ele acariciou as costas dela.
— Isso não vai acontecer. Minha Celina é incrível. Conseguiu fugir de um lugar tão perigoso até a cidade, e vai conseguir voltar para a capital para cobrar todas as dívidas. O que quer que você decida fazer, seu marido te apoia.
O que Félix não contou a Celina foi que encontraram duas ossadas no terreno de Odete, de mulheres vendidas antes dela.
Foram torturadas até a morte.
O fato de Celina ter voltado sã e salva era uma bênção dos céus.
Só de pensar nisso, as costas dele ficaram suadas.
Após o jantar, à medida que se aproximavam da Cidade Zeus, a noite caía mais rápido.
Celina tomou um banho e foi deitar.
Félix deitou-se suavemente ao lado dela. Sob a fraca luz noturna, seus olhos percorriam centímetro por centímetro o rosto dela.
Na bochecha direita, a marca quase invisível provava que ela havia apanhado bastante nas mãos da família de Odete e do casal de donos da pousada.
Mas, depois que se viram, ela não reclamou de nenhum dos sofrimentos pelos quais havia passado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Eu Na UTI, Você Na Cama Da Outra!?