Celina terminou de falar e, sem dar a mínima para a reação dele, continuou caminhando para fora ao lado de Félix.
Waldir, movendo sua cadeira de rodas elétrica, seguiu-os até o pátio.
Ele gritou um "Félix!"
Félix parou de caminhar, virou-se para encará-lo e depois apertou a mão de Celina.
— Vá descansar no carro um pouco, eu já vou.
Celina assentiu.
Os dois homens seguiram para o escritório.
Assim que a porta foi fechada, Waldir falou num tom profundo:
— Guilherme me chamou para sair hoje e insinuou que minha filha está nas mãos dele, exigindo que eu troque o pendrive pela vida dela.
Félix não pareceu surpreso.
— Depois que Jasmine Aires foi aprisionada por eles, o avô Franco supervisionou pessoalmente outro teste de DNA nela. O resultado mostrou que ela 'realmente' é sua filha. Mas, como não conseguiram extrair nenhuma informação dela, recorreram a esse último passo.
Waldir captou a mensagem nas entrelinhas imediatamente.
Félix não apenas tinha infiltrado pessoas no círculo de Ricardo Franco, como também possuía habilidade suficiente para trocar amostras biológicas debaixo do nariz dele.
Dado o quão paranoico Ricardo Franco era, seria impossível alcançar aquilo sem um planejamento de mais de dez anos.
Waldir soltou um riso curto.
— Antes de partir naquele ano, eu entreguei a coisa para a Adriana, mas nem eu mesmo sei onde ela guardou. Me ameaçar não adianta de nada. No entanto, decidi seguir a insinuação do Guilherme e atuar como um pai em desespero.
Félix assentiu:
— Sua atuação foi excelente. Quanto a Jasmine Aires... Eu até sentia um pouco de pena dela no início. Afinal, ela só foi usada por mim devido à sua própria ganância. É uma pena que sua ambição desmedida tenha desagradado Celina. Agora, descartar essa peça do tabuleiro não me traz culpa alguma.
Waldir parecia ter compreendido o peso daquelas palavras:
— Você pretende deixar que o sangue de mais uma pessoa suje as mãos do Ricardo?

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