Antes que Félix pudesse responder, Celina, de repente, o empurrou com ainda mais força.
— Vá vê-la! Vá vê-la logo! Melhor ainda se o teatro virar realidade. Todos saem felizes!
Félix nem sequer olhou para o celular e encerrou a chamada imediatamente.
Do outro lado da linha, Laiane segurava o celular, arrependida.
Que burrice a sua; como o senhor deixaria o local num momento como aquele?
Félix aprisionou Celina novamente em seus braços. Ele a deixou se debater o quanto quisesse, mas seus braços permaneceram firmes como algemas de ferro, sabendo que precisava acalmá-la.
— Da última vez, interrompi a reunião para procurá-la na seção de joias porque precisava mostrar isso aos outros. A minha esposa é tão compreensiva e perspicaz; será que não consegue entender as minhas razões?
— Pare de tentar me bajular. Ela tem segundas intenções com você, não me diga que não percebe.
Félix franziu a testa.
— Se ela tem intenções, o que eu tenho a ver com isso? Outras mulheres também têm intenções comigo, a culpa é minha?
Celina estava completamente irracional naquele momento.
— Não me importa! É tudo culpa sua por espalhar charme por aí! A culpa é toda sua! Toda sua!
Como as palavras não estavam funcionando, Félix decidiu mais uma vez segurar a nuca dela e beijá-la.
Um beijo profundo e demorado.
Em pouco tempo, a respiração de ambos ficou ofegante.
Os lábios de Celina estavam brilhantes e indescritivelmente sedutores.
Félix tentou acalmar a própria respiração e disse com a voz rouca:
— A falta de sono te deixou tão esquentadinha. Eu tenho uma sala de descanso aqui, tire um cochilo depois do almoço.
— Não vou...
Antes que Celina terminasse a frase, as mãos que seguravam a barra da roupa dela apertaram com mais força.
Como se a sua última gota de energia tivesse sido sugada, ela amoleceu nos braços dele.
Dessa vez, ir ou não ir já não dependia dela.
Félix, sem hesitar, a pegou no colo e caminhou em direção à sala de descanso...
Celina não havia dormido bem na noite anterior por causa do álcool, então acabou dormindo direto até o fim do expediente.
Durante o sono, teve um sonho. Sonhou que havia voltado a ser adolescente, correndo sozinha para dentro daquela creche abandonada segurando algo muito importante...
No momento em que acordou, sentiu uma dor de cabeça latejante.

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