Após o grito, seus olhos se encheram de um medo e uma resistência estranhos, como se o homem à sua frente não fosse seu amado, mas outra pessoa com a intenção de machucá-la.
"Por favor... não me toque..."
Ela enterrou o rosto nos joelhos, chorando baixinho.
O coração de Félix doía como se estivesse sendo esfaqueado.
Nos dias em que estiveram juntos, ela parecia normal na superfície, mas sempre que estava em um lugar mal iluminado e era tocada inesperadamente, entrava em pânico.
Ele nunca entendeu a origem desse sintoma, até aquele momento, quando o quebra-cabeça finalmente se resolveu.
Celina logo se acalmou por conta própria, controlando suas emoções e levantando-se lentamente.
"Desculpe, esta noite... teremos que... dormir em quartos separados. Eu preciso de um tempo... sozinha para me acalmar."
Depois de dizer isso, ela correu para o banheiro, quase como se estivesse fugindo.
Logo, o som da água corrente veio de dentro.
Enquanto isso, Félix olhava para a porta fechada do banheiro, sem se mover.
Seu telefone tocou. Era Laiane.
"Senhor, Hermínio já levou Luiza de volta para a cidade, para uma de suas residências particulares. A segunda filha da Família Palma provavelmente não sobreviverá à noite."
O olhar de Félix escureceu por um instante. "Você não me ligou. Nenhum de nós sabe o que aconteceu com Luiza esta noite."
Do outro lado da linha, Laiane respondeu claramente: "Entendido!"
Um pouco depois, Celina saiu do banheiro.
Seu cabelo estava encharcado, ainda pingando água.
O pijama, bem fechado, parecia uma armadura.
Ao ver Félix parado em silêncio no meio do quarto, ela não sentiu nenhum conforto; pelo contrário, a vergonha e a insegurança dentro dela se intensificaram.
Celina evitou seu olhar, encolhendo os ombros como um rato assustado sob uma luz forte, e correu para o guarda-roupa, abriu a porta e se escondeu lá dentro.
"Celina..."
"Não se preocupe comigo, me deixe em paz, por favor."

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