A impressão que dava era a de uma cafetina negociando com um cliente em um bordel.
O Diretor Barbosa olhava para Celina com tamanha cobiça que parecia prestes a babar, assentindo repetidamente e dizendo: "Ótimo."
"Dona Leite, o que significa isso?" Celina perguntou.
Amélia sorriu levemente: "Não está claro? Estou te apresentando um pretendente para casamento."
Ela apontou para o homem ao lado. "O Diretor Barbosa é um jovem promissor, bem-sucedido, e a esposa dele faleceu há pouco tempo. Está justamente precisando de uma mulher para lhe aquecer à noite. Você não gosta de subir na vida, de buscar alguém com dinheiro? Olhe só como vocês combinam."
No olhar de Celina não havia qualquer emoção, e ela até colaborou, mostrando um sorriso forçado.
"Dona Leite trata até os seus de maneira dupla, uma na frente, outra por trás. O que família significa para a senhora? Lucro, status... nunca sentimento."
O rosto de Amélia desabou. "Esse é o preço para você morar na Família Leite. Se não aceitar, não há acordo."
Celina entendeu que, caso recusasse casar-se com o Diretor Barbosa, Amélia não permitiria que ela ficasse com Alex nem que entrasse na Família Leite.
"Então... deixe-me conversar a sós com o Diretor Barbosa," disse Celina.
Vendo que ela aceitava, como Dona Leite poderia recusar?
Logo, seu olhar transparente pousou no rosto do Diretor Barbosa, sugerindo: "Aqui é um reservado. Sem minha permissão, ninguém entra. Vocês podem ‘estreitar’ os laços à vontade."
O Diretor Barbosa entendeu a insinuação de Amélia. Assim que a porta se fechou, tentou agarrar Celina.
Mas Celina desviou.
Com um sorriso no rosto, o Diretor Barbosa disse: "Linda, não adianta resistir. O que Dona Leite decide, você não tem como negar. Aceite, seja boazinha, não se complique."
Ao falar, ele tentou avançar sobre Celina.

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