Celina não disse nada.
Ele desligou o fogo, virou-se e, com o dedo, tocou de leve a pontinha do nariz dela. "Nem pense, não vou dar para você."
Celina inclinou a cabeça e perguntou: "Por quê?"
O homem se abaixou, depositou um beijo na testa dela e pousou a ponta dos dedos sobre o coração dela.
"Porque... aqui ainda não está pronta."
Celina olhou para o rosto bonito dele tão próximo, sentindo uma mistura de emoções no peito.
Um homem pode mesmo ser tão bom assim com quem ama?
Bom a ponto de parecer irreal.
"Mas e aquele seu problema de pressão alta?"
Félix riu.
O riso dele era aberto, contagiante.
"Era só uma desculpa para dormir com você. Já fazem tantos anos, que problema poderia ter? Que ingenuidade a sua, tão fácil de enganar."
Celina baixou a cabeça em silêncio, levando o arroz frito para a mesa de jantar.
O aroma estava tão bom que ela quase quis elogiá-lo.
"Se um dia você ficar desempregado, pode abrir um restaurante e vender só arroz frito."
Félix sorriu. "Esse é o maior elogio que eu poderia receber?"
Celina confirmou com a cabeça.
"Então eu vendo arroz frito e você vende pudim de leite condensado?"
Celina ficou surpresa por um instante.
O sorriso de Félix foi desaparecendo pouco a pouco. "Ontem, quando voltei para o hotel, vi que o seu pudim de leite condensado tinha estragado."
Celina ficou um pouco surpresa. "Ficou guardado tanto tempo, por que não jogou fora?"
Félix respondeu com carinho: "Não tive coragem."
Essas três palavras atingiram Celina em cheio, no coração.
Ela se lembrou de quando, no passado, também cozinhara para Jackson, mas ele, por ter um compromisso de última hora, nem olhava e já jogava fora.
Mas Félix...
Celina conteve a onda de sentimentos e disse baixinho: "Você é tão infantil."
Félix puxou o próprio prato para perto dela e sentou-se ao lado dela.
"Eu nem cheguei a provar, faz mais um para mim?"
Celina não respondeu, abaixou a cabeça e continuou comendo.
O homem se aproximou discretamente e, no ouvido dela, sussurrou: "Ou então... posso comer você direto."

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