"Isso não é brincadeira. Construir uma relação de cuidado baseada em percepções falsas só prejudicaria a recuperação do Alex. Não podemos endossar as alucinações dele."
Samuel imediatamente assentiu em concordância.
"Isso mesmo, que absurdo seria."
Mal terminara de falar, o monitor cardíaco emitiu um alarme.
"Vocês não podem discutir isso aqui, procurem outro lugar para conversar."
O médico voltou rapidamente para o leito.
Os quatro seguiram até a esquina do corredor. Amélia estava aflita.
"Marido, ouça: basta você negar, nosso filho não aguenta! Vai mesmo ficar olhando ele sofrer?"
Samuel respondeu:
"Mas nós, da Família Leite, também temos reputação nesta cidade. Inventar do nada uma ‘noiva’, ainda por cima uma mulher divorciada… O que vão pensar? Se esses boatos se espalharem, nossa reputação ficará manchada."
Celina lançou um olhar a Samuel, e, de relance, passou pelos traços tensos do rosto de Félix, deixando escapar um sorriso quase imperceptível.
Mas Amélia se exaltou:
"Você não ouviu o que o médico disse? Nosso filho está ali, numa cama de hospital! Reputação, aparência, nada disso importa mais do que a vida dele!"
"Isso não é a forma certa de resolver o problema, cunhada," Félix rebateu.
"E então, qual seria a forma certa? Ficar olhando ele ser provocado até desmaiar de novo, ou pior?"
Após dizer isso, Amélia de repente parou, desconfiada, alternando o olhar entre os dois homens à sua frente.
"Tem algo estranho entre vocês dois," ela disse.
Era raro ver os irmãos de acordo, mas naquele dia, por duas vezes, haviam se unido contra ela.
O ar parecia carregado de uma estranha tensão.
Samuel pigarreou:
"Quem somos nós para decidir se aceitamos ou não? Isso cabe à Srta. Reis."
Assim que ele terminou, todos finalmente voltaram o olhar para Celina, que até então estivera à margem da conversa.

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