Na verdade, ele sempre soube da relação dela com Jackson.
Celina olhou para ele, surpresa, com os olhos arregalados.
Carlos arqueou uma sobrancelha. "O que foi? Seu marido protegeu aquela mulher em público, te obrigou a servir café e ainda insinuou para mim que você era apenas uma peça descartável. Ainda espera que ele venha te salvar?"
Celina sorriu entre os dentes, lutando para não demonstrar fraqueza. "Vá procurar a número 38, aqui comigo você não vai conseguir nada."
Carlos, vendo que ela continuava teimosa, segurou sua cabeça e a bateu com força contra o piso de cerâmica antes de sair.
Celina ergueu a cabeça devagar. Em seus olhos opacos, de repente, brilhou uma chama intensa de vontade de viver.
Se todos os maus estavam vivos, por que ela deveria ser a primeira a morrer?
Doze horas. Era a chance que ela tinha para escapar.
Com dificuldade, conseguiu se sentar e olhou ao redor do quarto.
Havia câmeras de vigilância, mas ela não acreditava que Carlos ficaria o tempo todo assistindo às imagens.
O notebook da médica estava ali, mas provavelmente sem conexão à internet.
Havia apenas uma porta de entrada e saída.
Então, Carlos não a prendeu com algemas ou correntes porque simplesmente não temia que ela pedisse socorro ou tentasse escapar.
Por fim, sem forças, o corpo dela cedeu.
Depois de várias sessões de choques elétricos, ela não tinha mais energia nem para engatinhar. Aquela era uma armadilha mortal, sem saída.
……
Enquanto isso, Jessica já estava inquieta.
"Por que não prendemos logo aquele tal de Franco para interrogar?"
Geraldo, trocando de roupa, respondeu: "Você está pensando que é quem? Chefe de máfia ou o próprio Jackson?"
Jessica ficou em silêncio.
"Já investigamos onde ele mora, não encontramos nada estranho. Você não faz ideia de quem é esse Franco. E nossos pais, já pensou no que pode acontecer com eles?"
Jessica ficou muito abalada. "Mas a Celina está em perigo."
Talvez por estar acostumado a lidar com vida e morte, Geraldo foi mais racional.
"No caso da Celina, nem a família adotiva pode opinar, o marido não se importa, e você, como uma simples amiga, pode fazer o quê? Claro, se puder ajudar, ótimo. Mas se não puder…"
Ele hesitou por alguns segundos.
Seus dedos tremiam sobre o teclado.
Era cinco e meia da manhã. Será que haveria alguém diante do computador do Pederneira Verde?
Nesse momento, ouviu passos de salto alto sobre os degraus de mármore do lado de fora. Celina ficou aflita, não podia esperar para confirmar se havia alguém do outro lado, e quebrou o notebook junto.
Do outro lado, Jessica havia recebido o endereço e estava prestes a responder, quando a conexão caiu.
Assustada, ela saltou da cadeira.
Diante da escolha entre chamar a polícia ou ligar para Geraldo, decidiu pegar do bolso aquela velha e discreta ficha de negócios e ligou para a secretária do Cidade Zeus…
Seis da manhã, na suíte presidencial do Hotel Cloud Top.
A secretária, sem tempo nem para lavar o rosto, apenas ajeitou o cabelo antes de bater na porta do chefe.
O homem parecia estar se exercitando, uma fina camada de suor ainda brilhava em sua testa.
"A senhorita Pereira acabou de me ligar pedindo um pequeno favor."
O homem mordeu os lábios, sinalizando para que ela continuasse.
"Na verdade, é algo que nem a polícia consegue resolver. Fizemos dois testes de DNA, a Srta. Pereira não é a pessoa que procuramos, então… vamos mesmo nos envolver no lamaçal do Cidade K?"

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