Mas quando ela chegou à porta, o carro já havia desaparecido em meio à poeira.
O diretor tomou a iniciativa de dizer: "Sr. Leite, ela esteve no meu escritório, lá tem câmeras de segurança."
O homem mantinha o rosto inexpressivo, mas lançou um olhar para a secretária.
A secretária se adiantou: "Dr. Bruno, a visita do Sr. Leite é de natureza estritamente pessoal. Recebê-lo assim, de maneira tão ostensiva, não é apropriado. No calor desse verão, fazer as crianças dançarem sob o sol... por que o senhor mesmo não vai dançar?"
O diretor ficou em silêncio.
"O Sr. Leite fará uma doação de trezentos mil em nome pessoal para as crianças. Esse dinheiro deve ser usado integralmente para elas."
O diretor acenou com a cabeça apressadamente: "Pode ficar tranquilo, Sr. Leite, seguirei à risca suas orientações."
O homem permaneceu impassível, e disse à secretária: "Vá buscar as gravações das câmeras daqui", olhando em seguida para o diretor.
"Se houver próxima vez, o senhor pode esquecer o cargo de diretor e começar a limpar os banheiros."
O diretor ficou sem palavras, engolindo a resposta.
Sem ter obtido informações realmente úteis, Celina não ficou particularmente decepcionada.
"Os professores deste orfanato nunca se importaram de verdade com as crianças, é natural não conseguirmos nada."
Se não fosse assim, ela nunca teria sido entregue àquele psicopata anos atrás.
"Nossa principal missão em Cidade Vento é encontrar o Diretor Correia. Vamos procurar um hotel para descansar um pouco e então ir ao encontro dele."
...
No entanto, ao anoitecer, o Diretor Correia teve um compromisso inadiável: um jantar com convidados no restaurante do jardim.
"Será que ele está nos enrolando de propósito?" Jessica reclamou, insatisfeita.
Contudo, Celina não desanimou. Ela pediu o endereço da secretária do diretor e, junto com Jessica, foi até lá.
Elas ficaram esperando na entrada do restaurante, certas de que, ao final do jantar, conseguiriam vê-lo.
A sala reservada do Diretor Correia dava de frente para a rua, e através das janelas iluminadas, viam-se as silhuetas de três pessoas.
"Celina...", Jessica puxou discretamente a manga da amiga, "vocês nem se separaram ainda, e aquela oportunista já está grudada no seu marido como um fantasma. Que falta de vergonha!"
Seguindo o olhar de Jessica, Celina viu Jackson e Alice sentados na sala privada, conversando animadamente com um homem de meia-idade.
Jackson parecia manter uma relação cordial, porém distante, com o homem, enquanto Alice, sentada entre os dois, ora servia vinho, ora oferecia comida, ora fazia comentários para animar o ambiente. Todos os seus gestos deixavam clara a indulgência de Jackson para com ela.
Celina desviou o olhar, seus olhos límpidos e serenos, inabaláveis.
"Está para chover. Que tal esperarmos a chuva passar antes de irmos embora?" sugeriu Alice.
O olhar do Diretor Correia, seguindo as palavras dela, recaiu sobre a mulher que esperava do lado de fora, como se soubesse que estavam ali por ele.
Comentou então consigo mesmo: "Esses jovens de hoje são realmente persistentes."
Alice sorriu, sem responder, e pediu mais dois pratos pelo celular.
O tempo, típico do verão, mudou de repente e, em poucos minutos, uma tempestade desabou.
Jessica ainda não tinha voltado com o guarda-chuva, então Celina teve que se abrigar sob o beiral do restaurante.
Mas a chuva era intensa demais e o beiral muito estreito para proteger alguém. Quando Jessica finalmente chegou com o guarda-chuva, Celina já estava completamente encharcada.
O Diretor Correia voltou-se para Jackson: "O que aquelas garotas de Pederneira Verde fizeram para você, para merecerem esse tratamento?"
Jackson olhou para Celina, seu rosto pequeno, molhado e teimoso, com um olhar profundo e escuro.
O Diretor Correia observou Celina, depois Alice, que fazia questão de prolongar o jantar, e pensou consigo: "Será que é uma amante vindo desafiar a esposa, e Jackson está aí para apoiar a mulher?"
Nunca tinha visto a Sra. Tavares, e Jackson também não apresentara a mulher ao seu lado naquela noite. Mas, ao ver a atitude dela e o modo indulgente de Jackson, não restavam dúvidas de que aquela era a Sra. Tavares.

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