Coincidentemente, nesse momento, Alex saiu da casa de chá acompanhado da secretária.
Talvez ainda estivesse aborrecido, pois nem olhou para eles e foi diretamente em direção ao seu Porsche estacionado à beira da rua.
Celina, agindo rapidamente, recolheu os biscoitos.
"Tudo bem, então não vou recusar. Outro dia te ligo, atenda, tá?"
Depois de dizer isso, ela correu até Alex.
A mão de Renato, que estava prestes a pegar um biscoito, ficou parada no ar, hesitando, sem saber se devia ou não pegar.
Alex mal havia se sentado no carro quando, num piscar de olhos, uma silhueta entrou rapidamente e se sentou ao seu lado.
Ao encontrar o olhar frio de Alex, Celina sentiu um leve constrangimento.
"Desculpe, Diretor Leite, preciso pegar uma carona."
Alex não demonstrou nenhuma emoção, mas Celina enxergou, em seu rosto, um questionamento mudo.
Quem foi que disse que nunca mais queria me ver?
E agora, por que está sentada no meu carro assim, de repente?
Celina segurou sua bolsa junto ao peito, um tanto nervosa, temendo que ele a mandasse descer.
"Vou te dar outro segredo sobre Jackson."
"A Srta. Reis ainda tem crédito comigo?" A voz de Alex era impassível.
Celina respondeu baixinho: "Acho que ainda tenho, talvez não muito."
A secretária continuava segurando a porta do carro, sem fechá-la, esperando por uma ordem de Alex.
Ela nunca tinha visto alguém como a Srta. Reis: há pouco tinha deixado seu chefe furioso e agora, com a maior cara de pau, vinha tentar negociar o marido.
Ainda bem que era mulher, porque se fosse homem, seu chefe provavelmente já teria torcido seu pescoço.
"Pode dirigir!"
Ao ouvir a ordem do chefe, a secretária, apesar de constrangida, imediatamente fechou a porta e foi para o banco do motorista.
O carro entrou lentamente no fluxo do trânsito.
Na entrada do Pavilhão Serra.
"Será que foi Alex quem ajudou a senhora a criar a repercussão na internet? Como eles se conhecem?"
João achava aquilo inacreditável.
Jackson desviou o olhar, sua voz não revelava emoções.
"Ela sabe mesmo como buscar problemas. O barco fantasma de Alex nunca deixa ninguém descer no meio do caminho; se é pra cair nas minhas mãos, ao menos posso ‘ter um pouco de compaixão’ na hora de puni-la."
João estremeceu.
O ar ficou carregado de uma sensação de perigo.
"Se quer encontrar proteção, é melhor fingir ser uma donzela indefesa, Srta. Reis; com esse seu rosto, talvez até consiga me convencer."
Celina enfrentou o olhar perscrutador dele sem vacilar nem um pouco.
"O senhor está enganado, Diretor Leite. Esse rosto é só pra mim mesma no espelho, não para agradar ninguém."
"É mesmo?"
Alex semicerrava os olhos.
Celina sorriu levemente, o olhar frio como estrelas distantes.
"Só quem consegue chamar a atenção de Jackson merece seu envolvimento. Ou quer que seu pai acredite que só seu irmão tem essa capacidade?"
Nos olhos de Alex, algo profundo se agitou.
"Sabe quantas vezes você já deveria ter morrido desde que entrou nesse carro, Srta. Reis?"
O maior erro dela tinha sido deixar ele saber que havia investigado a família Leite de propósito.
Mas Celina não demonstrou o menor medo, mantendo o olhar firme.
"Negociar com alguém não exige conhecer o outro lado? O que eu sei, eu sei. O que não sei, não sei. Ou precisa que eu finja, dissimule, para provar que não tenho más intenções?"
Nela pairava um leve perfume, algo entre a fragrância de gardênias banhadas de luar numa noite fria e o aroma suave de um chá morno numa xícara de porcelana.

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