"Não precisa, a culpa foi minha por não prestar atenção no caminho, está tudo bem."
Celina estava preocupada com outras coisas e queria ir embora.
Mas ele insistiu: "Vamos ao hospital primeiro, senão vai ficar uma cicatriz."
Celina respondeu impaciente: "A gente nem se conhece, por que você está sendo tão prestativo?"
Ele ficou surpreso por um instante, tirou um cartão de visitas e sorriu: "Sou advogado licenciado. Se esta cafeteria prometer algo e não cumprir, pode me procurar a qualquer momento."
O gerente mal conseguia disfarçar o espanto: Sr. Renato atuando como advogado freelancer, isso era realmente inusitado.
Celina pegou o cartão, era branco com letras pretas, mas o nome e o telefone eram diferentes.
O nome dele era Renato Leite.
Então, não era Antônio?
Celina guardou o cartão e tocou a testa. "Eu estou bem, não é nada."
Renato estava prestes a falar quando Alex se aproximou.
"Renato, veio aqui a negócios?"
Renato viu o irmão e sorriu sem realmente sorrir.
"Pai me pediu para te entregar um documento."
Alex riu: "Até trabalho de assistente você está fazendo, pai está mesmo ‘investindo pesado’ na sua formação."
Renato devolveu um sorriso leve, sem responder.
"Sra. Tavares foi convidada por mim, então sou eu quem a leva ao hospital," disse Alex.
"Se até as pessoas que o irmão convida acabam se machucando, é sinal de que está muito ocupado. Melhor deixar o irmão mais novo te ajudar."
"Não é preciso, cada um cuide dos seus assuntos."
"Não precisa ser tão sério, irmão."
Celina ficou com dor de cabeça com a discussão dos dois.
"Senhores, fiquem à vontade, tenho outras coisas para resolver. Vou indo."
Alex e Renato pararam ao mesmo tempo.
Celina saiu sem olhar para trás.
Quando entrou no carro, ligou para Jessica: "Veja se consegue mais algumas pessoas interessadas em joias e imóveis para mim."
"Não conseguiu fechar negócio?" Jessica perguntou.
"Não se deve colocar todos os ovos na mesma cesta."
Jessica concordou com Celina.
"É isso, negócios são assim mesmo."
"Preciso que descubra uma coisa para mim," disse Celina.
"O quê?"
Lorenzo ligou o ar-condicionado, Celina sentou no banco de trás e ele fez a desinfecção do ferimento.
"É só um ferimento superficial, não é grave. Se cuidar direitinho, não vai ficar cicatriz."
Dizendo isso, ele pegou um spray e aplicou no topo da cabeça dela.
Apenas alguns segundos depois, Celina sentiu uma tontura repentina.
Lorenzo reclinou totalmente o banco do motorista, passou para o banco de trás e a segurou nos braços.
"O que você vai fazer comigo?"
Celina sentia o corpo todo fraco, o coração acelerado sem motivo.
Lorenzo pegou o spray de novo e borrifou no rosto dela.
"Não tenha medo, é só uma encenação. O efeito da substância vai passar logo, não vai te fazer mal."
Enquanto falava, ele desabotoou a gola da camisa dela, também abriu a própria camisa, mas não fez mais nada além disso.
"Por que está fazendo isso?"
Celina agarrou o braço dele, falando com dificuldade.
Nos olhos de Lorenzo havia um traço de amargura. "Desculpe, se eu não fizer isso, eu..."
No instante seguinte, o vidro do passageiro foi quebrado, revelando o rosto frio de Jackson.
O olhar do homem era ainda mais gélido que a meia-noite do solstício de inverno, mas no canto da boca havia um leve sorriso: "Vocês dois têm um jeito bem peculiar de se divertir."

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