"Sra. Tavares, nosso Diretor Leite já a espera há um tempo, por favor." Disse a secretária.
Celina entrou no reservado.
"Desculpe, Diretor Leite, cheguei atrasada."
O homem virou o rosto, seu perfil era refinado, e entre as sobrancelhas havia uma familiaridade que fazia o coração estremecer.
Mas ele não era aquele Sr. Leite.
"A culpa foi minha. Achei que alguém do seu nível, Sra. Tavares, teria um cartão de sócio deste lugar, então... não pensei direito."
O tom era cortês, mas havia um toque de ironia nas palavras.
Celina sorriu levemente, sentou-se à sua frente e tirou uma caixa de joias.
"Esta é uma parte das joias que desejo revender, por favor, dê uma olhada. Além disso, tenho alguns imóveis, posso lhe enviar os endereços. Além disso..."
"Sra. Tavares," ele a interrompeu, "por tudo isso posso lhe oferecer duzentos milhões. Depois, procure minha secretária para acertar os detalhes."
Celina o observou atentamente. "E o que o Diretor Leite quer que eu faça para você?"
O Diretor Leite sorriu, seu olhar amável escondia uma profundidade insondável.
"Sra. Tavares é realmente uma pessoa perspicaz. Ouvi falar do caso do Diretor Tavares, sinto muito pelo que aconteceu. Imagino que não seja alguém que suporte injustiças, mas aqueles boatos não o prejudicaram tanto, se..."
"Já sei o que você vai dizer."
Celina o interrompeu, ao mesmo tempo recolhendo as amostras de joias de volta para a bolsa.
"Não me interesso pelas rixas entre vocês, nem posso lhe fornecer as informações que deseja. Acho que deve ter havido algum mal-entendido na mensagem do intermediário, vim apenas vender as joias e os imóveis."
Terminando, Celina se levantou para sair.
O Diretor Leite sorriu e a chamou de volta.
"O preço pode ser ainda maior, Sra. Tavares. Não precisa decidir agora, pense com calma e me responda depois."
Ele lhe entregou um cartão de visitas.
Celina pegou; o cartão era extremamente simples, sem cargo, apenas um nome e um telefone.
Chamava-se Alex Leite.
Lembrou-se do primeiro dia de aula após sair das ruas, quando um grupo de colegas tentou impor regras sobre ela.
Naquela época, Antônio ficou à sua frente, expondo as falhas dos outros.
"Ouçam bem, esta é minha irmã. Se tentarem intimidá-la como fazem com os outros, darei um jeito de fazê-los se arrepender."
Depois disso, nenhum daqueles grupos problemáticos ousou incomodá-la.
Antônio a protegeu até os vinte e dois anos, mas numa noite chuvosa, desapareceu misteriosamente à beira do rio; a polícia encontrou apenas seus sapatos e celular. As buscas foram em vão, e três meses depois o declararam morto.
O que acontecia diante de si começava a se confundir com suas lembranças, fazendo seus olhos arderem.
"Diretor Leite, desculpe, desculpe, foi culpa do garçom", o gerente chegou correndo.
O sorriso servil no rosto do gerente tornou-se severo ao olhar para o garçom.
"Por que não usou o corredor de serviço? O chefe do seu turno vai perder o bônus deste mês, e você está demitido."
O Diretor Leite soltou um riso irônico. "Só isso?"
"Ah, sim, vou acompanhar esta senhora ao hospital imediatamente para um exame. Fique tranquila, não vamos nos eximir da responsabilidade."

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