-Você não faz ideia de como foi divertido. Te manipular como uma marionete, nota por nota, dos bastidores, sem que você percebesse. Foi... exquisito.- Seu sorriso era impiedoso. -Mas não me culpe tanto, Daemonikai. O verdadeiro culpado foi o seu orgulho. Você se achava invencível. Muito forte para ser tocado, muito temido para ser desafiado. E por causa dessa arrogância, você me deu a abertura perfeita.
Ele soltou uma tosse de diversão. -Os Dragaxlovs sempre buscaram o trono, mas o Naelzharoth era poderoso demais. Meu avô compartilhou comigo que era o sonho de sua vida sentar no Primeiro Trono, mas cada esquema menor que ele tentou para tirá-lo de seu avô falhou. Ele era um covarde, entende, assim como o resto deles.- Zaiper suspirou. -Mesmo aos cem anos, eu sabia que era diferente daqueles relíquias sem espinha. Eu sabia que alcançaria grandes coisas, e sabia que você me ajudaria. Sua indiferença casual, aquela superioridade orgulhosa... sempre um Naelzharoth, nos vendo como inferiores. Você nem mesmo me considerava uma ameaça. E é por isso que eu venci.
O silêncio de Daemonikai persistiu.
-Eu peguei sua família e saboreei cada segundo de seus rugidos naquela noite,- Zaiper continuou, se divertindo. -Quando Evielyn me implorou para poupar seu filho, eu vi a luz desaparecer de seus olhos enquanto enterrava uma lâmina em seu primogênito. Você não pode imaginar a emoção de vê-lo lutar por ar. E assistir sua preciosa rainha sangrar diante de mim...- Ele fechou os olhos, revivendo. -Apenas essa memória supera a dor em meu corpo agora. Foi arte. Uma das minhas maiores criações.
-Você enlouqueceu, e eu me regozijei,- Zapier ronronou. -Quinhentos anos sem você foi um paraíso. Teria permanecido assim se eu tivesse conseguido que aquele bastardo Vladya e aquele filho da mãe Ottai me ajudassem a te matar. Acho que esse foi meu maior arrependimento... Eu deveria ter tentado mais. Mas você pode culpar um macho? Eu nunca imaginei seu retorno.
-Mas você voltou,- ele cuspiu. -O mesmo suíno autojusto e superior, transbordando de poder como se os deuses o alimentassem. Você invadiu minha casa, me humilhou com sua Vontade Alfa, e desfilou como um deus do sol maldito. Aposto que você adora se gabar de quão poderoso é. Eu não gostei disso, mas sabe do que eu gostei?- O sorriso voltou. -Os gritos dela naquela noite.
Ele ouviu—um suspiro quase silencioso. Finalmente, uma resposta.
O coração de Zaiper se elevou. Oh, a diversão que ele estava tendo.
-Aposto que você não se lembra. A Mãe Natureza tende a ser minuciosa assim—especialmente quando se trata de proteger a mente. Mas não se preocupe. Vou te dar um pequeno resumo.- Ele sorriu. -Você foi impiedoso. Brutal. Os gritos dela abalaram as torres mais fortes enquanto você a despedaçava para seu próprio prazer—serrando através de feridas cruas e contusões apenas para se satisfazer. A. Noite. Toda.
Daemonikai não se abalou.
Zaiper continuou.
-Ela desmaiou de dor, da pura miséria... e mesmo assim, você não parou. Você, que dizia se importar com ela, que a chamava de seu coração, sua companheira, sua estrela radiante—você a fez sofrer até que seu corpo se quebrasse sob você. Novamente. E novamente. E novamente.- Droga, seu bom olho estava ardendo. Ele piscou forte para limpar o suor. -Sinceramente, eu ficaria surpreso se os dois conseguissem se tornar íntimos novamente sem ela reviver aquela noite.
Silêncio.
-Eu nunca gostei de como mesmo quando a desgraça te empurrava para um canto, você ainda nunca olhava para o meu lado.- A voz de Zaiper se apertou. -Machucou meu orgulho, não vou mentir. Mas toda vez que um dos meus planos funcionava, toda vez que você permanecia blissfully ignorant—valeu a pena.
-Você quer saber por quê?- disse o grande rei, com tom suave.
Zaiper piscou. -Por quê o quê?
-Por que eu nunca olhei para o seu lado. Por que nunca me ocorreu que você era quem puxava as cordas.

-Por que eu não olhei para o seu lado?- A voz de Daemonikai baixou. -Porque você nunca ocupou um lugar alto o suficiente no meu radar para importar. Dragaxlov sempre ressentiu o Naelzharoth, mas o sentimento nunca foi mútuo. Simplesmente não nos importávamos o suficiente para retribuir. Eu te dei crédito demais,- ele disse suavemente. -Eu assumi—mesmo com nossa história—que você tinha pelo menos um fio de honra. Eu não sabia que sua covardia corria mais fundo do que o sangue em suas veias. Foi meu erro, e eu assumo total responsabilidade por isso. Mas me diga, Zaiper,- sua voz era um sussurro suave. -Como é viver por cinco mil anos fervendo de ódio... por um homem que nunca te deu um segundo pensamento?
Zaiper não conseguiu conter um rosnado. Aquele idiota...!
-Como é nutrir todos aqueles sonhos perversos, apenas para falhar todos eles?
Daemonikai inclinou a cabeça. -Como se sente por ser nada mais do que um saco pendurado de vergonha - pendurado de cabeça para baixo em uma gaiola - assistindo eu, vivo, inteiro e invicto?- Ele sorriu. -Agora tenho uma nova família. Um filho e uma filha com meu sangue. Um reino em paz. E uma companheira - a mesma que você pensou ter quebrado - esperando para me receber de braços abertos assim que eu entrar pela porta.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...