Três dias depois.
Daemonikai tinha razão. Zaiper desejava nunca ter vivido para ver este dia.
Enquanto era desfilado pela praça lotada, cabeça baixa, correntes tilintando a cada passo, a humilhação era a única coisa que restava nele. Isso - isso - era uma desgraça abjeta. O pior dos piores. Ele estava vestido apenas com cuecas sujas, grossas algemas prendendo suas mãos e pés. As amarras eram envenenadas, drenando o que restava de sua força. Ele não podia se transformar. Não podia correr. Não podia lutar.
E as pessoas? Eles eram implacáveis.
-Vagabundo!
-Diabo maligno!
-Que sua alma apodreça nos nove infernos!
Seu ódio era um coro, quente como o sol batendo nele.
Cada passo era um lembrete de quão longe ele havia caído - de um Grande Senhor para isso, um macho enjaulado em exibição para ridículo público.
Zaiper nunca escolheu a morte levianamente. Mas esta desgraça pública era muito pior.
Uma mulher avançou pela linha de guardas. -Você merece justiça das multidões!- ela gritou, cuspindo nele.
A saliva bateu em sua bochecha, quente, cheirando a bile.
Zaiper tentou rosnar, mostrar suas presas. Mas saiu apenas como um rosnado baixo e quebrado. Ele estava muito fraco. Faminto. Privado de sangue. Esgotado além da medida.
Soldados o cercavam por todos os lados, protegendo-o do pior do ataque, mas era uma fina parede entre a ordem e o caos. Duas multidões separadas já haviam tentado atacá-lo durante esta miserável procissão - e agora, outra o aguardava à frente.
-Dê ele para nós!
-Deixe-nos tê-lo!
-Ele merece morrer gritando!
-Fiquem para trás!- um soldado gritou, tentando conter a maré.
Mas então aconteceu.
Um objeto duro atingiu as costas de Zaiper com um estalo violento, a dor detonando através de sua espinha. Então vieram os punhos. Botas. Garras. Ele caiu no chão, e eles desceram como uma matilha de lobos.
Não houve gritos dele - apenas ofegos sufocados e grunhidos estrangulados. Ele não podia gritar. Não podia respirar. Não podia se mexer.
Ele provou seu próprio sangue. Ouviu o estalo distinto de suas costelas cedendo sob um pisão selvagem. Ele queria chamar - exigir que os soldados fizessem seu maldito trabalho. Mas sua voz se foi. Perdida.
Aquele bando de idiotas sequer estava tentando ajudar? Não parecia.
Um rugido foi arrancado à força de sua garganta arranhada enquanto sua pele crepitava. Sua pele descascava diante de seus olhos. Lágrimas embaçavam o pouco que ele ainda podia ver. A agonia era insuportável. O cheiro de pele escaldada misturado com a sujeira das águas residuais.
É tarde demais, malditos!
Quando ele voltou a si, Zaiper estava pendurado de cabeça para baixo, suspenso no ar como um animal esfolado. A dor não diminuíra - ainda estava lá, tão brutal quanto antes. O sangue corria para sua cabeça, fazendo-o sentir tonturas e pesado. Sua parte inferior do corpo estava ficando dormente. Isso não era apenas desconfortável. Era debilitante.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...