PRINCESA EMERIEL
Emeriel não iria tão longe a ponto de dizer que estava evitando seu amado. Mas se alguém colocasse dessa forma... bem, havia pouco que ela poderia fazer para negar.
Ela estava além de mortificada. Envergonhada não começava a cobrir. Constrangida... isso, e muito mais.
As coisas que ela havia dito. As coisas que ela havia feito nas primeiras horas da manhã.
Assim que acordou naquela tarde, as memórias foram impiedosas, atingindo-a e golpeando-a. Ela não queria nada além de que o chão se abrisse e a engolisse inteira.
Mas, é claro, o chão não fez nada disso, porque sua sorte era terrível.
Então ela fez a próxima melhor coisa. Ela se refrescou rapidamente e praticamente fugiu para as plantações, passando o restante do dia lá. Ela se manteve ocupada inspecionando as colheitas, verificando pragas, dando instruções aos trabalhadores. Mas sua mente...
Sua mente estava em seu comportamento altamente não-dama. Nas coisas lascivas que ela havia dito. Palavras que pertenciam aos cantos sombrios de um bordel, não dos lábios de uma princesa.
Quando chegou a hora de descansar, ela se sentou sob a extensão sombreada de uma árvore antiga, uma mão repousando sobre sua barriga enquanto observava os trabalhadores ao longe.
“Minha princesa,” uma das jovens se aproximou, oferecendo uma reverência respeitosa. “A senhora vai se encontrar com o escrivão da corte hoje?”
Ela deveria. Ela ajudava seu grande rei com a papelada, aliviando seus fardos da maneira que podia, mas hoje... Emeriel balançou a cabeça e a garota saiu. Não hoje.
Ela não iria recolher pergaminhos. Não se isso significasse encontrar ele.
“Às vezes, no escuro da noite quando ele está longe, eu abro minhas coxas, e me toco. Finjo que é ele.”
Ela fez uma careta, apertando os olhos. Ah, pelas estrelas...
Mas no meio de sua mortificação veio uma lembrança que aqueceu seu coração apesar de tudo. A maneira como ele a segurava, falava com ela, olhava para ela.
“Não importa se nosso vínculo não retornar. Faremos um ritual de ligação. Eu preferiria ter você como minha companheira de vínculo, passar pelos ritos e votos, do que não ter você de jeito nenhum.”
Seu peito se encheu de algo terno, e ela piscou com força contra as lágrimas que ardiam em seus olhos. Ela ainda não conseguia acreditar que ele havia dito aquilo.
Dois anos atrás, o vínculo deles havia parecido uma gaiola, uma armadilha da qual nenhum deles poderia escapar. Agora, o vínculo havia desaparecido, mas eles estavam desesperados para recuperá-lo, dispostos a passar por ritos antigos para forjar um vínculo não natural apenas por uma chance de pertencer um ao outro.
A ironia. Ah, os deuses devem estar rindo. Eles devem estar se divertindo tanto conosco.
“Não sofremos o bastante?” Emeriel sussurrou, olhando para as intermináveis fileiras de colheitas.
“Você não poderia ter piedade de nós?”
Com um suspiro cansado, ela deixou os olhos se fecharem. Apenas por um momento.
Mas o momento se estendeu, e logo ela havia vagado para o sono sob o sussurro silencioso das folhas e o zumbido distante dos trabalhadores.
•••••
Era tarde da noite quando ela retornou à fortaleza, exausta, com as costas doendo. Ugh. Ela poderia usar mais sono. Mas quando não estava sonolenta nos dias de hoje?
Ela esfregou a parte inferior das costas e olhou para a barriga. “Veja as coisas que você me faz passar.”
Trazer ela até ele? Qual poderia ser o motivo? Ele precisava de mais sangue?



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...