O Grande Senhor Vladya sabia o que esperar.
Enquanto corria sem parar pela extensão interminável da floresta, ultrapassando seus limites durante o dia e a noite, ele sabia o que estava acontecendo... afinal, o Oráculo havia lhe dito.
E ainda assim, nada poderia realmente prepará-lo para essa visão de Aekeira. Curvada, tremendo, seu corpo sacudido pelas dores do cio. Seu cheiro estava espesso no ar, tão potente que fez sua cabeça girar.
Vê-la assim - vendo a si mesmo em um cio - trouxe a realidade para casa.
Aekeira estava no cio.
Uma Sirena.
E ele - Vladya, o macho que passou séculos se afogando na solidão, desespero e miséria - tinha um Laço de Alma.
Todas aquelas noites intermináveis de perguntas sem resposta, fazendo as pazes com a ideia de que viveria e morreria sozinho, mergulhando na loucura sem ninguém para ancorá-lo... sua companheira destinada estava ao seu lado o tempo todo.
Uma fêmea nascida para ele.
Destinada a ele.
Criada para ser dele.
Sua mulher. Sua companheira.
Aekeira.
Congelado no lugar, preso entre o choque e a realização, Vladya apenas observou enquanto Daemonikai passava apressado por ele.
-Emeriel...,- ele murmurou.
A garota, envolta em sua irmã, com o rosto enterrado na testa de Aekeira, ouviu sua voz e levantou a cabeça.
Seus olhos inchados e riscados de lágrimas encarando cegamente na direção dele. -D-Daemon?
-Sou eu, querida.- Curvando-se, ele gentilmente a desvencilhou de Aekeira e a levantou em seus braços.
Ela instantaneamente se agarrou a ele, as pernas se enrolando em sua cintura, os dedos se enroscando em seu cabelo.
-Sinto muito que você teve que passar por isso sozinha.- A voz de Daemonikai estava cheia de profunda tristeza.
-Você prometeu...- Emeriel soltou um soluço quebrado.
A culpa se manifestou nas feições de Daemonikai. -Eu sei que prometi.
Ela esfregou os quadris contra o estômago dele, soltando um gemido de alívio. -Ah, isso é tão bom.
Com um suspiro de arrependimento, Daemonikai parou seus movimentos com mãos gentis em seus quadris.
Ela gemeu de agonia com a negação.
Finalmente, Vladya forçou seus pés presos a se moverem. E uma vez que deu o primeiro passo, o resto se tornou mais fácil.
Em questão de segundos, ele estava ao lado dela, ajoelhando-se e estendendo a mão para ela. -Aekeira.
Ela se encolheu, um gemido silencioso escapando dela. Os olhos permaneceram fechados.
Ela não o reconheceu. Nem mesmo pareceu ouvi-lo.
-Acho que ela pode ter entrado em outro golpe de calor.
Vladya olhou para a chefe de criados que falou de onde estava, com a cabeça baixa em sinal de respeito.
-Ela tem passado por isso a noite toda,- Livia disse.
Agora ele se sentia ainda pior. A ideia de ela estar sofrendo tanto - de seu corpo se quebrar repetidamente sob a tensão porque ele não estava lá - o dilacerava.
A voz de Daemonikai rompeu o caos em sua mente. -Não posso tirar minha garota daqui com o cheiro dela tão forte no ar,- ele disse, mudando Emeriel em seus braços. -Precisaremos usar seu quarto adjacente.
-Está bem.- Vladya mal registrou sua própria resposta. Seu olhar ainda em Aekeira.
Virando-se para sair, Daemonikai hesitou. -Agora, você é tudo em que essa garota depende, V.D.- Sua voz era um lembrete baixo. -Eu sei que é demais para absorver, mas cada pensamento, cada névoa - afaste-os bem longe até que ela tenha passado pelo cio, nada mais existe.
Vladya assentiu. Ele estava certo.
Daemonikai saiu com Emeriel em seus braços. Um por um, os outros seguiram. Madam Livia. Amie. Senhor Ottai. Até, por fim, o quarto se esvaziou, deixando Vladya sozinho com Aekeira.
Ele tirou suas roupas rasgadas e ensanguentadas, deixando-as cair em um monte no chão. Se deitando ao lado dela, seu toque leve como uma pena enquanto ele afastava uma mecha de cabelo úmido de seu rosto. -Minha doce, bela jovem princesa.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...