As lágrimas de Emeriel fluíam livremente agora, impossíveis de conter. -Por favor, pare. Ver você assim está me dilacerando.
Uma terceira lágrima caiu, seu rosto se contorcendo em angústia. -Sinto muito...
-Não peça desculpas, por favor.
-Eu sinto muito, muito, muito, Emeriel. Tudo isso foi culpa minha. Foi tudo minha...
-Pare de se culpar!- ela sibilou ferozmente. -Cada infortúnio que acontece não é sua culpa, você me ouve? Era para acontecer! Era inevitável! Devemos tentar seguir em frente! Lamentamos o que poderia ter sido, mas não podemos nos culpar eternamente.
Outra lágrima caiu, e ela a enxugou, suas próprias lágrimas fluindo como um rio. -Nós somos seres vivos, Daemon. Estamos destinados a cometer erros, e às vezes... acidentes acontecem. Algumas coisas são simplesmente destinadas a ser. Algumas coisas não podem ser evitadas.
Enquanto falava, suas palavras ressoavam profundamente dentro dela.
Todos esses anos, ela se culpou. Algumas noites, na escuridão, ela até o culpou. Ela os odiava por tudo o que aconteceu.
-Colocar a culpa não resolve nada,- ela continuou em um tom mais suave. -Só torna a dor pior. Como podemos curar e seguir em frente quando deixamos a culpa assumir o controle?
-Riel... dói.
-Eu sei.- Ela enxugou suas lágrimas em sua manga. -Está tudo bem, deixe sair. Eu estou aqui, meu mais querido Amado. Deixe tudo sair.
Ela pressionou sua cabeça contra seu ventre, seus braços o envolvendo apaixonadamente. Enquanto seu corpo tremia em seu abraço, ela acariciava seus cabelos suavemente, acariciando-o.
-Está tudo bem liberar tudo. Não dê à culpa o poder que ela deseja. A culpa retira as pomadas de uma ferida, deixando-a crua... cicatrizada... nunca para curar.
O vento varreu pelo prado, puxando suas roupas, sussurrando pela grama.
-Tudo ao meu redor morre,- ele murmurou, suas lágrimas encharcando seu vestido. -Todos destinados a pertencer a mim morrem.
-Você deveria correr, Emeriel. Correr longe, muito longe de mim.- Ainda assim, ele a segurava mais forte. -Eu não deveria ter impedido você de partir hoje.
-Por favor, pare de dizer coisas tão ridículas, eu parei de correr,- Ela entrelaçou os dedos em seus cabelos. -E você, Sua Graça, não pode fugir de mim. Porque desta vez, eu vou te perseguir até os confins da terra se for preciso.
Seus braços se contraíram sobre ela, puxando-a impossivelmente mais perto. As emoções cruas que irradiavam dele eram como ondas batendo contra uma costa.
Ele balançou a cabeça. -Se eu não tivesse te rejeitado da maneira que fiz... se eu não tivesse te mandado embora, nada disso teria acontecido.
-Você tomou a decisão certa. Olhe para mim.- Emeriel acariciou sua bochecha, incentivando seu rosto encharcado de lágrimas para cima. Seus olhos vermelhos e atormentados encontraram os dela.
-Eu nunca pensei que diria isso, mas você fez a coisa certa me mandando embora, e sinto muito que tenha demorado tanto para perceber isso.
Ele começou a balançar a cabeça, mas ela segurou, seu polegar traçando círculos contra sua pele. -Você precisava se encontrar. Eu precisava me encontrar. Eu era uma escrava, e você tinha sido selvagem por séculos. Você nem teve tempo para lamentar, para realmente processar sua perda, e de repente, eu fui jogada em você. Alguém que você não escolheu. Alguém da mesma espécie que levou sua família, que tem o potencial de substituir o que você perdeu. Como alguém poderia esperar que você agisse de forma diferente? Você. Fez. A. Coisa. Certa.
Seus lábios tremiam, e ele não encontrava seus olhos, mas ela sabia que toda a atenção dele estava com ela.
-Nós deveríamos ter comunicado melhor,- ela raciocinou, passando a mão contra sua mandíbula. -Teria ajudado muito. Nenhum de nós estava pronto para a ligação rompida ou a dor que trouxe. Mas aquela separação era necessária. Nos forçou a crescer. A entender o que realmente queríamos. Precisávamos daquele tempo separados, Daemon. Precisávamos nos encontrar para que pudéssemos escolher um ao outro.
Ao redor deles, a noite avançava. As estrelas, a lua e o vento testemunhavam esse momento vulnerável. Esse momento de partir o coração onde ela ficou e assistiu seu macho se despedaçar diante dela, pedaço por pedaço lenta e agonizantemente.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...