Daemonikai havia tentado não pressioná-lo para falar ao longo dos anos, mas ver toda essa dor nos olhos de Ottai puxou suas cordas do coração.
-Não faço ideia do que teria feito se tivesse perdido Morina também-, Ottai balançou a cabeça. -Só de pensar nisso me despedaça. Não posso fingir entender o que você passou, mas egoisticamente desejo... desejo que você não nos deixe.- Ele deu um suspiro trêmulo, se estabilizando. -Não nos deixe, Daemon.
-Não vou-, Daemonikai prometeu, surpreendendo até a si mesmo.
Era a primeira vez que ele dizia em voz alta, e, pela primeira vez, ele realmente queria dizer.
Empurrando as sombras do luto para o lado, ele falou claramente, cada palavra sendo uma promessa. -Não mais. Estou aqui para ficar.
-Ótimo, isso é bom-, disse Ottai, assentindo aliviado.
Daemonikai esperava ser liberado então, mas em vez disso, foi abraçado com mais força.
-Agora, aguente este último abraço.
Daemonikai soltou um suspiro dramático e insuportável, mas não resistiu. -Você percebe que agora é um homem adulto, não é? Não é mais aquele garotinho que me seguia por toda parte há três milênios?
Ottai deu de ombros, impassível. -Sim, mas ainda preciso de um bom abraço de vez em quando.
-Não, o que você precisa é crescer-, Daemonikai retrucou com diversão.
Ottai sempre foi o 'bebê' do grupo. Não apenas era o mais novo, mas Daemonikai e Vladya estiveram presentes em seu nascimento.
Ele se apegou ao lado de Daemonikai, seguindo-o por toda parte quando era jovem. Era seguro dizer que Daemonikai o ajudou a criá-lo.
E algumas coisas nunca mudam. Ottai era, e sempre foi, um notório amante de abraços.
Três milênios e meio não haviam diminuído isso nem um pouco.
Com um suspiro derrotado, Daemonikai relaxou contra as almofadas, permitindo que Ottai se agarrasse a ele. -Tudo bem, você pode continuar me molestado.
-Oh, pare de reclamar, Ancião-, Ottai riu. -Você sabe que gosta disso.
Ele gostava, embora Daemonikai nunca admitisse. A proximidade, a facilidade, parecia como nos velhos tempos.
Antes da dor, antes das mortes. Antes de a vida ter dado a todos um golpe duro.
Apenas como nos velhos tempos.
Finalmente, Ottai se afastou, arrumando suas vestes e fazendo uma tentativa meio desajeitada de arrumar seu cabelo bagunçado. Um sorriso astuto e lupino se espalhou por seu rosto. -Obrigado, Papai Daemon. Eu precisava disso.
-Você realmente ainda é o Pequeno Te Travesso, não é?- Daemonikai franziu os lábios, balançando a cabeça. -Debaixo de todas essas vestes pesadas e títulos, você ainda é o mesmo jovem que costumava fugir de suas enfermeiras, nu da cintura para baixo, de Mabblewood até Frostfall, segurando suas roupas para eu ajudá-lo a vesti-las.
-Você sabe disso-, Ottai respondeu com um encolher de ombros, seu sorriso se alargando.
-Peste-, murmurou Daemonikai, embora um sorriso afetuoso puxasse seus lábios.
Então, um pensamento cruzou sua mente, e sua expressão mudou ligeiramente. -Você ouviu falar de Vladya? Ele retorna esta noite, não é?
-Oh sim, esperamos por eles a qualquer minuto-, Ottai estava animado. -Estou emocionado que ele esteja voltando para a fortaleza. Tudo está finalmente se encaixando de novo, e...
Uma súbita comoção do lado de fora chamou a atenção de ambos.
Daemonikai se levantou, indo até a janela. Ele olhou para baixo, escaneando as terras abaixo. -O que está acontecendo lá fora?
Ottai se aproximou para se juntar a ele. -Talvez nosso povo esteja realizando uma de suas celebrações...
A porta se abriu, batendo contra a parede de pedra com um estrondo alto. Wegai entrou, seu rosto ainda mais sombrio do que o normal.
-A princesa-, ele disse, sua voz tensa.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...