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Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso romance Capítulo 218

Sem resposta. Sem movimento.

-O corpo dele está queimando de novo.- Preciso esponjá-lo de novo.- Ela murmurou, seu olhar atraído para as veias escuras que se destacavam contra seu braço pálido.

-Talvez desta vez, ele fique conosco, certo?

O Senhor Ottai parecia tão esperançoso que Emeriel assentiu. -Sim, eu também espero.

Ela sentou ao lado do Rei Daemonikai e pegou uma toalha, mergulhando-a em água fresca. Cuidadosamente, ela começou a passar a toalha pelo seu braço machucado.

O quarto caiu em um silêncio pesado, quebrado apenas pelo som suave da água pingando da toalha.

O Senhor Ottai permaneceu por um tempo, fazendo-lhe companhia, antes que o dever o puxasse para longe, deixando Emeriel sozinha com o grande rei.

Ela continuou esponjando sua pele aquecida por horas, evitando despi-lo completamente. Lentamente, gradualmente, a febre começou a diminuir, até que quebrou.

Exausta, ela finalmente permitiu-se descansar. Deitando sua cabeça ao lado de suas costelas, ela fechou os olhos, o ritmo do seu respirar raso a embalando em um sono muito necessário.

Emeriel permaneceu ao lado do grande rei, mal saindo de seus aposentos exceto por breves intervalos para se refrescar.

Tudo o que ela precisava, desde comida até lençóis limpos, era trazido diretamente para a residência real.

Não havia mundo além dos aposentos do rei, sua vida girava apenas em torno da figura imóvel na cama.

Madame Livia visitava ocasionalmente para ajudar Emeriel a preparar os remédios herbais. Em cada visita, ela pacientemente guiava Emeriel, ensinando-a a preparar chás medicinais e fazer poções para reduzir a febre e afastar os sintomas da morte da alma.

Depois, Madame Livia misturava óleos perfumados enquanto Emeriel moía raízes em pós finos, usando seu rico aroma terroso para incenso.

Os servos Urekai masculinos cuidavam do banho do rei e da troca de roupas, e as criadas vinham substituir os lençóis da cama e arrumar o quarto. Mas, na maior parte do tempo, Emeriel ficava sozinha com seu rei inconsciente.

Ela frequentemente escolhia livros da grande biblioteca, lendo em voz alta para ele contos de batalhas épicas vencidas e perdidas. Histórias de terras distantes e deuses.

Ao longo de suas caminhadas, Emeriel encontrou quartos, selados como túmulos com pesadas fechaduras, que ela percebeu que guardavam as memórias de sua falecida companheira de ligação e filhos. Por respeito, ela nunca se aventurou perto deles, honrando seu espaço.

No quinto dia, depois de esponjar sua pele febril e aplicar gotas de remédio em seus olhos abertos e inexpressivos, Emeriel se ajoelhou junto à lareira.

Segurando o livro de textos religiosos e orações antigas encadernado em couro desgastado, ela o abriu na página onde havia parado no dia anterior, e recomeçou a rezar.

-Concede, Ó Grande Ukrae, a restauração da saúde e mãos curativas, tanto para o corpo quanto para a alma,- ela leu, cuidando das chamas cintilantes na lareira de pedra com sua mão livre. -Todo-poderoso e poderoso Ukrae, que cura todos e salva todos, que tuas bênçãos restaurem força e vida.

Ela se perdeu nos textos sagrados, o tempo se dissipando despercebido como sempre.

Não foi até que Madame Livia entrou para administrar seus remédios noturnos que ela se mexeu, fechando suavemente o livro de orações e se levantando para se juntar a ela.

-Eu te agradeci por retornar a Urai?- Madame Livia perguntou mais tarde, enquanto se preparava para partir, pausando no limiar. -Eu sei que não deve ter sido fácil, considerando tudo o que aconteceu.

-Você não precisa me agradecer,- Emeriel disse.

A verdade era que, apesar de seu desejo de deixar o passado para trás, Aekeira estava certa. Ela precisava saber que seu macho estava são e salvo, mesmo que estivessem a meio mundo de distância um do outro.

-Durante sua breve volta, eu entendi por que seu povo é tão devoto a ele,- Madame Livia confessou, suas mãos descansando no batente da porta. -Todos nos odiavam, humanos, mas ele era o único governante que nos tratava como seres vivos.

Capítulo 218 1

Capítulo 218 2

E se ele não sobreviver à travessia?

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