AEKERIA
Na manhã seguinte, Aekeira estava à beira da loucura de preocupação quando entrou no grande pátio ao lado de Emeriel. Eles tentaram ser corajosos quando receberam a convocação, vestindo seus uniformes de escravos com mãos trêmulas. Mas agora, diante das imponentes portas duplas do tribunal, seu coração dava cambalhotas.
Ao abrir-se as portas rangentes, a mão de Em segurou a dela, seus olhos ansiosos refletindo o mesmo medo que dominava Aekeira.
Entrelaçando os dedos, Aekeria murmurou. -Vai ficar tudo bem.
Eles estavam no centro do tribunal, cercados por senhores, autoridades de alto escalão e nobres, seus olhares pesados e avaliadores.
O olhar de Aekeira imediatamente encontrou o Grande Senhor Vladya, sentado à direita do rei. Ele estava tão estoico quanto sempre, sua atenção voltada exclusivamente para o pergaminho em que escrevia, nunca lhe lançando um olhar sequer.
Contrariando o que Emeriel havia dito, Aekeira sabia que ele a havia evitado durante toda a semana. Ela sentira isso - a ausência deliberada, a distância fria.
E doía.
Aekeira pensara que estavam progredindo. Depois do dia que passaram juntos em seus aposentos, quando ele compartilhou um pedaço de si mesmo com ela, ela ousara ter esperança. Talvez, apenas talvez, ele estivesse deixando-a entrar.
Mas agora, estava claro. Ele não estava.
Na verdade, ele se afastara completamente dela.
Era a loucura selvagem mais uma vez? Ou ele decidira que uma mera humana não valia a pena?
Aekeira desejou poder dizer que não a incomodara, mas a verdade era que ela estivera absolutamente obcecada com os motivos. Tentando justificar seu silêncio, sua evitação.
Talvez seus caminhos simplesmente não tivessem se cruzado?
Então por que ele não me lançou um olhar aqui? Nem uma vez sequer?
-Estamos reunidos aqui hoje para fazer um decreto.- A voz do grande rei ecoou pelo tribunal. -Por tempo demais, essas duas almas estiveram acorrentadas, negadas a liberdade e dignidade. Hoje, reconhecemos sua dedicação e serviço a Urai. Pelo poder investido em mim por este tribunal e na presença destas testemunhas, declaro que os laços de sua escravidão estão quebrados.
Aekeira ouviu as palavras, mas seu significado não afundou. Os laços da escravidão estão quebrados. Laços de escravidão... quebrados?
Um rápido olhar para Emeriel confirmou que sua irmã estava tão confusa quanto ela.
-De agora em diante, vocês são mulheres livres, não mais sujeitas à vontade de outro,- continuou o grande rei. -Que possam andar de cabeça erguida, sabendo que são iguais aos olhos desta terra e de seu povo. Sigam em frente, vivam suas vidas como escolherem, e que encontrem paz e felicidade em sua nova liberdade.
Nós somos livres...?
Sua garganta se apertou, lágrimas ardendo em seus olhos. Aekeira piscou freneticamente, lutando para processar o que acabara de ouvir. Ela ouvira certo? Poderia ser real?
A sala, os rostos, o grande rei - não havia como isso ser um sonho. Emeriel se aproximou, apertando a mão de Aekeira.
Nós. Somos. Livres.
-Que este ato sirva como um lembrete de que boas ações podem ser recompensadas, e este tribunal apoia novos começos. Uma vez feito daqui, uma tropa aguarda para levá-las de volta para casa.- O grande rei finalmente as encarou. -O futuro é de vocês para moldar. Sejam livres, sejam fortes, e que encontrem alegria nos dias que virão.
A felicidade invadiu Aekeira, tão poderosa que não tinha limites.
Ela podia sentir isso irradiando de Emeriel também. O rosto de sua irmã se iluminou com um largo sorriso, e antes que percebesse, Emeriel estava em seus braços, e estavam se abraçando apaixonadamente.
-Estamos livres, Keira!- Emeriel murmurou em seu ombro.
-Sim, estamos, Em.- Irreal. Dez meses de escravidão. Realmente acabou?
Nada de tarefas exaustivas, senhores de escravos com seus chicotes pontiagudos, comida mal comível, noites de fome, senhoras atacando-as, ficar nuas diante dos senhores na mesa redonda. Realmente acabou?
Então, as palavras que o grande rei disse voltaram a ela. Uma tropa aguarda para levá-las de volta para casa.
Elas estavam voltando para casa. De volta a Navia.

Por que ele não a olhou? Nem mesmo um olhar.
Mas ela sabia por quê. Estavam sendo enviadas embora.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...