Ela olhou para as mãos. -Ele me atacou duas vezes durante o cio.
O sorriso do Senhor Herodes desapareceu, substituído pela preocupação.
-Eu costumava pensar que a besta dele realmente gostava de mim, mesmo que o macho... bem, não. Mas agora, não tenho tanta certeza. Os olhos dele brilharam amarelo nas duas vezes. Até mesmo na noite em que ele me confrontou.
O grande senhor parecia triste. -Por mais que pareça que nossa besta é uma entidade separada que vive dentro de nós, ainda somos um com nossas bestas, Emeriel.- O grande senhor parecia triste. -Você e a besta se davam tão bem porque ele era sem mente. Naquela época, ele seguia apenas os instintos, amando e protegendo você como sua companheira. Mas agora, a consciência retornou, e alguns instintos se sobrepõem a outros. Como a necessidade inata de matar humanos.
Emeriel olhou para cima das mãos, para encará-lo.
-O grande rei é um com sua besta. O que ele sente, sua besta também sente. Ambos perderam suas famílias, jovem. Essa dor... é profunda. Não é apenas ele descontando, são os dois.
Aquilo fazia sentido. -Acho que entendo melhor agora.
-Vai melhorar.- O Senhor Herodes falou com convicção, cobrindo suas mãos com uma das suas. -Tenha fé em si mesma. Tenha fé no seu vínculo. Agora, vamos deixar tudo isso de lado. Me conte como você está se saindo.
SENHORA SINAI
A Senhora Sinai ficou no pátio, olhando para a distância enquanto os escravos trabalhavam ao seu redor. Eles passavam apressados, murmurando cumprimentos enquanto se esforçavam para sair do seu caminho. Ela não lhes deu atenção, ainda remoendo o que ouvira mais cedo.
-Emeriel será libertada. Emeriel está deixando Urai.
Sinai não sabia como se sentir sobre isso. Depois que o engano de Emeriel veio à tona, pela primeira vez em muito tempo, ela ficou doente.
De cama. Doente como um cão.
Descobrir a verdadeira identidade de Emeriel não foi um choque. Não, foi muito mais. Tinha arrancado o mundo de Sinai.
Pensar que o garoto que ela observara com suspeita não era apenas um garoto, mas a Alma Gêmea de Daemonikai... a atingira como uma flecha envenenada direto no peito.
Por três dias agonizantes, ela ficara na cama, se culpando por isso. Se culpando por não agir mais cedo, por não confiar em seus instintos.
Ela estava com muito medo do Buraco para matar o garoto quando teve a chance. Emeriel teria morrido muito antes da revelação vir à tona.
Alma Gêmea.
A palavra como sempre cortava seu estômago como um chicote queimante e pontiagudo. O corpo de Sinai podia ter se recuperado da doença, mas sua mente ainda não se recuperara daquela revelação. Que piada.
E Daemonikai?
Ele nem sequer pensou em verificar como ela estava. Ele deve ter ouvido que ela estava doente, mas estava muito envolvido em seus próprios problemas para se importar. Aquilo doeu. Então, ela o visitou, apenas para ouvir sua conversa com Vladya.
Ela deveria ficar feliz que Emeriel estava partindo? Provavelmente.
Mas estava?
Não.
-Não pense que não sei que Emeriel te acalma, acalma sua alma, tira a dor e o pesar. Eu os observei por meses quando vocês ainda eram selvagens. Não pense que não sei que essa garota é como um bálsamo curativo para você.
Sinai não queria que Emeriel deixasse Urai, ela queria ela morta. Apagada da existência. Seu capítulo encerrado para sempre.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...