GRANDE SENHOR VLADYA
Desde que o Grande Senhor Vladya prometeu a Daemonikai que lutaria contra sua loucura, ele começou a correr para liberar a energia acumulada, para encontrar algum tipo de relaxamento.
As vozes em sua cabeça estavam mais silenciosas, como haviam estado nos últimos dias. Menos distraído, seus pensamentos permaneciam mais claros.
O bibliotecário até trouxe todos os livros, todos os registros sobre condições ferais para seus aposentos, e Vladya os examinou, adquirindo conhecimento que talvez não possuísse.
Ao amanhecer, depois de uma longa corrida pela floresta, seu corpo se sentia revigorado enquanto ele se dirigia para seus aposentos, apenas para pausar diante do cheiro familiar que pairava no ar. Se Yaz não o tivesse alertado sobre a presença de Daemonikai, o cheiro de seu amigo o teria alertado.
Daemonikai já estava em seu estudo, sentado à mesa de Vladya, com a cabeça baixa, os dedos batendo ritmicamente contra a madeira.
-Entre, sinta-se em casa-, disse Vladya sarcasticamente ao entrar.
Daemonikai não respondeu. Não que Vladya esperasse que ele o fizesse. Ele estava preocupado com seu amigo nos últimos dias.
-Ei...- Vladya se aproximou, indo ficar em frente a ele, apoiando-se casualmente na mesa. -Como você está? Você cheira a ela, então suponho que finalmente a tenha visitado.
-Você sabia de tudo isso e escondeu de mim.- Não era uma pergunta.
Vladya sabia que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. -Eu queria esconder o máximo possível. Foi por isso que a coloquei em supressores-, confessou. -Eu sei que não deveria ter feito isso, mas não conseguia pensar em outra forma de proteger você.
-E ela.
-E ela-, confirmou Vladya, dando de ombros. -Tenho um carinho pela garota.
-Vou deixá-la ir.
Vladya assentiu. -Eu já tinha percebido...
-Não.- Seus dedos pararam de bater. -Eu vou deixá-la ir.
Ah.
Vladya não tinha previsto isso. Na verdade, nem mesmo tinha considerado.
-Da escravidão?-, perguntou ele, mais cuidadosamente desta vez. -De Urai?
Daemonikai finalmente levantou a cabeça, encontrando seus olhos. Eles não envelheciam fisicamente, mas naquele momento, Daemonikai parecia ter toda a sua idade. Seu cabelo normalmente impecável estava em desordem, como se ele tivesse passado as mãos por ele inúmeras vezes. Seus olhos estavam cansados, tristes, mas cheios de determinação.
-Sim.
Vladya o estudou. -Você tem certeza?
Apesar das protestos verbais de Vladya no passado, no fundo ele sabia que Emeriel havia trazido algo bom para a vida de Daemonikai. Ela estava ajudando-o a se curar, quer ele admitisse ou não.
Daemonikai não estava tão bem como todos acreditavam. Ele não tinha aceitado a perda de sua família tão graciosamente quanto fazia os outros pensarem, e Vladya, apesar de todo o seu ódio pela crueldade do destino, não podia negar que Emeriel era um bálsamo para parte daquela dor. E agora, Daemonikai queria deixá-la ir.


Vladya abriu a boca para falar, mas Daemonikai continuou antes que ele pudesse dizer uma palavra. -Agora, a decisão é sua. Se você quiser que ela fique aqui, ela fica. Se não... então vamos libertar ambas.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...